A Renault vai apresentar no Salão de Paris, em 12 de outubro, o E-Space Concept, uma reinterpretação elétrica da primeira Espace (1984-1991). A proposta vai além das formas do passado: o conceito revisita a ideia que guiava a pioneira minivan, a de fazer do automóvel familiar uma "sala de estar sobre rodas".
Um conceito sem produção confirmada
A própria Renault define o E-Space como uma "visão do futuro" da Espace original e fala em um "reinício" do modelo. Por enquanto, trata-se apenas de uma van-conceito, sem produção confirmada. Segundo a fabricante, é um estudo destinado a investigar "futuros possíveis".
Ainda assim, o protótipo servirá para explorar caminhos para os próximos lançamentos da marca, dentro do plano estratégico futuREady. Entre as diretrizes do plano estão a aceleração da eletrificação, o desenvolvimento de novas tecnologias e uma atenção maior à relação do usuário com o automóvel ao longo de sua vida útil.
Nome, tamanho e visual do E-Space
Até o nome foi atualizado. O "E" separado por hífen faz referência ao E-Tech, denominação usada pela Renault para suas tecnologias eletrificadas, enquanto "Space" remete ao espaço interno, o conceito que deu origem ao nome Espace ("espaço" em francês).
- Comprimento de 4,70 metros, 45 cm a mais que a primeira Espace, que media 4,25 m.
- Carroceria pintada em um vermelho escuro chamado pela Renault de rubis noir, "rubi negro".
- Dianteira com inclinação integrada ao para-brisa e traseira quase vertical, para aproveitar ao máximo o espaço interno.
- Larga assinatura luminosa em forma de "U" nos contornos da dianteira e da traseira.
- Losango da Renault iluminado na frente, com efeito de pequenos pontos de luz semelhantes a pixels.
As formas recuperam a arquitetura monovolume da Espace original, em tempos de SUVs, mas o tratamento visual é bem diferente do dos anos 1980. O interior só será mostrado no Salão de Paris; por ora, a Renault o descreve como amplo, tecnológico e acolhedor.
A Espace original e a lógica do carro elétrico
Lançada em 1984, a Espace ajudou a popularizar na Europa a minivan monovolume. Combinava capô curto, cabine avançada, teto alto e grande área envidraçada. Podia transportar até sete pessoas em uma carroceria relativamente compacta e permitia reorganizar o interior: os bancos traseiros eram individuais, podiam ser dobrados ou retirados, e alguns giravam, transformando a cabine em um ambiente de convivência. Sem os bancos, surgia um grande compartimento de carga com piso praticamente plano.
O projeto não nasceu na Renault. A primeira Espace foi desenvolvida pela Matra, que tinha grande conhecimento em materiais compósitos e carrocerias de fibra de vidro. O plano original previa componentes da Simca, então sob controle da PSA Peugeot Citroën, mas o grupo não se interessou. A Renault viu o potencial, participou da evolução do projeto e levou a minivan ao mercado.
O começo foi difícil, porque os compradores demoraram a entender a proposta. Aos poucos o conceito vingou, e, quando a primeira geração saiu de linha, em 1991, 191.674 unidades haviam sido fabricadas. Depois, o mercado mudou: as minivans perderam espaço para os SUVs, e a sexta geração, apresentada em 2023, tornou-se essencialmente um SUV de cinco ou sete lugares.
A eletrificação, porém, criou novas possibilidades para modelos espaçosos. Plataformas específicas para elétricos permitem distribuir bateria e componentes mecânicos pelo assoalho, reduzir o espaço ocupado pelo conjunto mecânico e aproveitar melhor a distância entre eixos, arquitetura adequada a veículos familiares.
Outras novidades no estande
A Renault tem apostado em sua história: já ressuscitou o Renault 5 e o Renault 4 como elétricos e recuperou as formas do Twingo original em uma nova geração a bateria. No Salão de Paris, o E-Space dividirá espaço com o R8 Gordini Concept, releitura elétrica do esportivo dos anos 1960, e o 4 JP4x4 Concept, inspirado nas versões Plein Air e JP4 do antigo Renault 4. A marca também mostrará o Twingo E-Tech com o teto panorâmico Twingobay, peça de vidro de 0,7 m² que, segundo a fabricante, bloqueia 99,9% dos raios ultravioleta.
Para o mercado brasileiro, o E-Space é sobretudo um sinal de direção: a Renault indica que conceitos e releituras de seu passado servem tanto para experimentar soluções quanto para antecipar produtos reais. Não há confirmação de versão de produção, mas o estudo mostra como a marca pensa o carro familiar elétrico, com foco no espaço interno, em um mercado dominado por SUVs.
