segunda-feira, 5 de outubro de 2026

Seguro RCF-V: mais barato, mas só conserta o carro do outro

O seguro RCF-V, sigla para Responsabilidade Civil Facultativa de Veículos, é uma alternativa para quem quer proteção a um custo menor: ele cobre apenas os danos causados a terceiros e pode custar bem menos que o seguro convencional. Em contrapartida, o segurado arca com os próprios prejuízos em caso de acidente.

Por que tão poucos carros têm seguro

Apenas cerca de 30% dos carros do Brasil têm seguro, segundo dados da Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg). Um dos grandes motivos são os preços, que costumam variar entre R$ 1.000 e R$ 3.500 por ano, como aponta a Suhai. É nesse cenário que o RCF-V ganha espaço como opção mais acessível.

Como funciona a cobertura

Em um acidente envolvendo dois ou mais veículos, esse tipo de seguro cobre apenas os danos causados aos outros. O segurado paga pelos próprios custos. À primeira vista, a lógica pode parecer estranha: por que pagar para proteger o carro do outro e não o próprio? A resposta está na estratégia de reduzir os custos de um possível acidente e, ao mesmo tempo, pagar menos na anuidade ou mensalidade. Além disso, a cobertura pode poupar o segurado de implicações jurídicas e de cobranças do outro motorista.

As coberturas costumam ir além dos danos ao veículo e podem se estender a questões ligadas à saúde do terceiro. Dependendo do produto, também pode haver cobertura para danos morais e despesas com a defesa do segurado, conforme as condições contratadas.

Segundo Daniel Rozendo, proprietário da Roseg Seguros, esse tipo de cobertura é comum e pode ser contratada para veículo particular. Nem toda seguradora oferece a modalidade, mas, segundo ele, várias trabalham com o produto exclusivo para danos a terceiros, como a Porto e a Suhai. Cada seguradora define os produtos e os riscos que aceita, e a contratação sempre está sujeita à análise do risco.

Preço e limite de indenização

De acordo com Rozendo, a taxa mais baixa é padrão, já que a seguradora não precisa se preocupar com roubo, furto, colisão ou perda total do veículo do cliente. O preço, porém, varia bastante conforme o perfil do motorista, o veículo, a região e, principalmente, os limites de indenização contratados, o que dificulta cravar um valor preciso. Segundo reportagem do TecDiário, o seguro apenas para terceiros custa entre R$ 400 e R$ 800 por ano.

O limite máximo de indenização (LMI) contratado merece muita atenção, pois define quanto a seguradora vai pagar caso o seguro seja acionado. Se o prejuízo ultrapassar esse limite, a diferença pode ficar sob responsabilidade do próprio causador do acidente.

Para quem faz sentido

Segundo o especialista, donos de veículos de baixo valor estão entre os que podem se beneficiar da alternativa. O proprietário pode entender que não vale pagar um seguro completo para proteger o próprio carro, mas isso não significa que o risco financeiro seja baixo. Um veículo de R$ 5.000 pode causar um acidente envolvendo um carro de R$ 100 mil, por exemplo, ou provocar danos corporais que gerem responsabilidade financeira muito maior que o valor do próprio veículo.

Por isso, mesmo quem decide não contratar cobertura para o próprio carro deve avaliar o RCF-V, principalmente com limites adequados para danos materiais e corporais a terceiros.

Para contratar, o interessado deve procurar a seguradora desejada, verificar se ela oferece a cobertura e se o seu perfil se encaixa na oferta. Resolvido isso, basta cotar e assinar.

Para o mercado brasileiro, em que a maioria dos carros circula sem seguro, o RCF-V surge como uma opção intermediária: não protege o próprio veículo, mas reduz o risco de ficar devendo por prejuízos causados a outros motoristas.

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