Criminosos criaram mais de 480 sites falsos que imitam páginas de pagamento de pedágio Free Flow desde o começo de 2026, segundo levantamento da Kaspersky. Os golpistas usam a placa do carro para exibir cobranças de passagens que não existem, e a onda de fraudes segue crescendo: 80 desses endereços surgiram só a partir de maio.
Como funciona o Free Flow e onde nasce o golpe
No sistema Free Flow, em vez da cabine com cancela, há uma estrutura sobre a pista com câmeras e sensores que lê a placa ou a tag do veículo e registra a passagem. Quem tem tag no para-brisa tem o valor debitado automaticamente. Quem roda sem tag precisa pagar depois, por conta própria, em até 30 dias.
O modelo se espalha rápido. Segundo o Ministério dos Transportes, já são 15 rodovias com o sistema no país, e a Senatran contabiliza 200 milhões de passagens pelos pórticos desde a implantação.
É justamente no "pagar depois" que o golpe encontra espaço. Na dúvida sobre onde quitar a passagem, o motorista busca na internet algo como "pagar pedágio free flow", e os criminosos aproveitam essa busca.
O roteiro dos criminosos
Em conversa com a reportagem do Autoo, André Turquetto, vice-presidente da Abepam e CEO da Veloe, explicou que os golpes se concentram principalmente na criação de páginas falsas. A isca costuma ser um anúncio patrocinado ou um link recebido pelas redes sociais.
- As páginas reproduzem elementos visuais de plataformas conhecidas e ficam muito parecidas com os canais legítimos das concessionárias, o que passa uma falsa sensação de segurança.
- Ao informar a placa, surge uma suposta cobrança em aberto, que pode até exibir dados do veículo. Segundo o especialista, essas informações podem vir de vazamentos ou de outras fontes externas.
- O valor costuma ser baixo, na faixa de R$ 25, parecido com o de uma tarifa de verdade, para não levantar suspeitas.
No fim, o motorista paga por uma passagem que não existe. Se houver uma cobrança verdadeira pendente, ela continua em aberto, com o prazo correndo. Turquetto reforça que, independentemente do valor, o cuidado deve ser o mesmo: confirmar se existe realmente uma passagem pendente antes de pagar qualquer coisa.
A Kaspersky também encontrou nas lojas de aplicativos apps com nomes muito parecidos com o oficial. Até agora não apareceu nenhum clone exato do app do governo, mas os "primos" já estão disponíveis. Na hora de baixar, vale conferir o desenvolvedor.
Prazo de transição aumenta o risco
Em 2026, o governo abriu um período de transição de 200 dias, até 16 de novembro, para quem tinha passagens pendentes regularizar a situação sem multa. Com o prazo acabando, muita gente deve correr para quitar pendências, e a pressa favorece o golpista.
A partir de 17 de novembro, a regra volta ao normal: quem não pagar em 30 dias comete infração grave, com multa de R$ 195,23 e 5 pontos na carteira.
Como consultar com segurança
A recomendação da Abepam é consultar as passagens sempre por canais oficiais. O governo uniu a consulta ao aplicativo CNH do Brasil, onde é possível ver os registros do veículo. Em cada passagem, um botão "Como pagar" leva direto ao site da concessionária correta. Também valem os canais oficiais da própria concessionária: site, aplicativo e os totens na rodovia.
Para o motorista brasileiro, a expansão do Free Flow traz fluidez às estradas, mas exige um hábito novo: não pagar nada a partir de anúncios ou links soltos e confirmar a existência da passagem nos canais oficiais antes de qualquer pagamento, ainda mais com o fim do período sem multa se aproximando.
