Pesquisadores da Universidade Estadual da Carolina do Norte (UECN), nos Estados Unidos, desenvolveram a Espuma de Matriz Metálica (CMF, na sigla em inglês), um material que reduz progressivamente a energia dos impactos entre para-choque e chassi. Com isso, a carga transmitida ao compartimento de passageiros é menos severa, o que representa um avanço em segurança passiva.
Como funciona a espuma de matriz metálica
O material nasceu de pesquisas avançadas na UECN e atua justamente no ponto de contato entre o para-choque e o chassi. Em vez de transferir o choque de forma abrupta, a CMF dissipa a energia aos poucos, aliviando o que chega à cabine.
A professora Afsaneh Rabiei, da UECN, explicou as vantagens do material: "A CMF é mais leve que os metais convencionais, sem sacrificar a resistência. Nosso trabalho aqui demonstrou que essa estrutura avançada permite absorver melhor a energia dos impactos de alta velocidade". Ela completou: "É importante, porque reduz a taxa de desaceleração de um veículo durante uma colisão. E uma desaceleração mais lenta melhora a segurança de todos os ocupantes".
Do aço rígido à absorção de energia
Como lembrou o site brasileiro Inovação Tecnológica, até algumas décadas atrás os para-choques dos automóveis eram de aço de alta resistência. O pensamento vigente era de que isso protegia melhor a carroceria.
O problema era a quase total ausência de absorção da energia dos impactos. Motorista e passageiros acabavam sofrendo ferimentos de alta gravidade, muitas vezes fatais, por causa da elevada desaceleração imposta aos seus corpos. É esse cenário que materiais como a CMF buscam melhorar.
Testes e limitações
Os testes com a espuma de matriz metálica são feitos nos Estados Unidos, mas já repercutiram até nos testes europeus feitos pelo EuroNCAP.
Ainda não há, porém, previsão de quando será possível ter o material por um preço compatível ou que não aumente muito os custos de fabricação. Esse é o principal ponto em aberto para que a tecnologia chegue aos veículos de produção.
O que isso significa para o Brasil
A pesquisa reforça a lógica de que um carro seguro é aquele que absorve e dissipa a energia da colisão, e não apenas o que mantém a carroceria rígida. Para o consumidor brasileiro, trata-se de uma tecnologia a acompanhar: o ganho em segurança passiva é promissor, mas sua chegada ao mercado depende de uma produção economicamente viável, algo que, por ora, não tem prazo definido.
