O Porsche Carrera GT ganhou ao longo dos anos a fama de ser um dos supercarros mais difíceis de controlar. Produzido entre 2003 e 2007, com apenas 1.270 unidades, o modelo combina soluções derivadas das pistas, motor V10 aspirado e praticamente nenhuma assistência eletrônica para corrigir erros do motorista.
Engenharia sem concessões
O conjunto mecânico do Carrera GT é formado por um V10 5.7 aspirado de 603 cv, instalado em posição central e associado a um câmbio manual de seis marchas. O modelo também utiliza monocoque e subchassi de fibra de carbono, além de suspensão do tipo pushrod — soluções mais próximas de um carro de competição do que de um esportivo de rua convencional.
A ausência do controle eletrônico de estabilidade
Um dos pontos que ajudaram a criar a reputação do Carrera GT foi a ausência do controle eletrônico de estabilidade. Diferentemente dos supercarros atuais, o modelo não conta com sistemas capazes de corrigir automaticamente uma perda de trajetória. Durante o desenvolvimento do carro, até Walter Röhrl, piloto de testes da Porsche e bicampeão mundial de rali, afirmou que o Carrera GT era capaz de causar medo ao volante, alertando para a dificuldade que motoristas comuns poderiam enfrentar ao tentar explorar seu desempenho.
Acidentes que marcaram a história do modelo
A fama de carro exigente aumentou após diferentes acidentes envolvendo o Carrera GT. Jay Leno, por exemplo, perdeu o controle de uma unidade em Talladega depois de aliviar o acelerador durante uma curva em alta velocidade — o carro rodou várias vezes, mas não chegou a atingir as barreiras.
O episódio de maior repercussão ocorreu em 2013, quando Paul Walker e Roger Rodas morreram em um acidente com um Carrera GT 2005. Rodas estava ao volante, e a investigação apontou velocidade entre aproximadamente 129 e 150 km/h em uma via limitada a cerca de 72 km/h. Outro fator citado foi a idade dos pneus: apesar da baixa quilometragem do carro, eles tinham cerca de oito ou nove anos, condição que pode reduzir de forma significativa a capacidade de aderência.
Os acidentes não significam necessariamente que o Carrera GT tenha um problema de projeto — em diversos casos houve fatores externos, como excesso de velocidade, pneus antigos ou erros de condução. Ainda assim, trata-se de um carro com pouca tolerância a erros: seus 603 cv, o câmbio manual, a ausência de controle de estabilidade e o comportamento próximo ao de um carro de pista exigem experiência e atenção.
Mais do que o carro de rua mais perigoso já produzido, o Carrera GT pode ser considerado um dos últimos grandes supercarros analógicos. Para o mercado brasileiro, onde o modelo é praticamente inacessível e raro, ele segue como referência de uma era de esportivos sem filtros eletrônicos — justamente a característica que o tornou tão admirado e, ao mesmo tempo, responsável por sua fama de máquina difícil de dominar.
