sábado, 8 de agosto de 2026

França recorre à indústria automotiva para ampliar produção de drones militares

França recorre à indústria automotiva para ampliar produção de drones militares

A França passou a recorrer à sua indústria automotiva para acelerar a produção de drones militares. Desde o início do ano, a Renault e os fornecedores Valeo e Forvia anunciaram parcerias com empresas de defesa, em uma estratégia estimulada pelo governo francês para reforçar a autonomia industrial e militar do país.

A lógica é aplicar a escala, a automação e a eficiência das linhas automotivas a um dos segmentos militares que mais crescem. “Por que agora? Porque a necessidade é agora”, resumiu em julho Christophe Perillat, presidente da Valeo. “E por que na França? Porque nos pedem que garantamos nossa soberania.”

Um relatório da comissão de defesa do Senado francês, publicado em julho, classificou o estoque nacional de drones militares — estimado em alguns milhares de unidades — como insuficiente para atingir massa crítica. O uso intensivo do equipamento na guerra entre Rússia e Ucrânia mudou a forma como os conflitos são conduzidos, e a pressão dos Estados Unidos para que a Europa amplie suas capacidades militares acelerou o movimento.

O que já foi anunciado

A Valeo vai fabricar na França motores elétricos para drones desenvolvidos pela empresa de tecnologia de defesa Harmattan AI. A Forvia fechou no fim de julho um acordo com uma companhia europeia de defesa cujo nome não foi divulgado, especializada em sistemas antidrone assistidos por inteligência artificial, e estuda montar no país uma unidade para mil drones interceptadores por mês.

A Renault foi mais longe. A montadora produz com a Turgis & Gaillard o drone de longo alcance Chorus na fábrica de Le Mans, no oeste do país, onde afirma poder chegar a 600 unidades mensais. Em junho, no salão Eurosatory, anunciou parceria com a Thales para industrializar o Toutatis, munição teleoperada — um drone explosivo — com meta de mil unidades por mês a partir de 2027.

Ainda em junho, a fabricante francesa de drones Delair se associou à alemã Schaeffler para instalar na França uma linha capaz de produzir cerca de 100 drones por dia até novembro.

Escala não resolve tudo

Somadas, as capacidades de Renault, Schaeffler e Forvia podem se aproximar de 60 mil unidades por ano. O volume seguiria abaixo do que as autoridades francesas estimam necessário em um conflito de alta intensidade. Em dezembro, o governo anunciou 150 milhões de euros (cerca de R$ 884 milhões) para desenvolver o setor, valor que parte da indústria considera aquém do necessário.

Há ainda o risco de estocar equipamento que envelhece rápido. “Os drones evoluem muito depressa”, disse neste ano Patrice Caine, presidente da Thales. Por isso, a aposta francesa é menos em acumular arsenal e mais em manter capacidade fabril pronta para ser acionada — algo que, segundo Patrick Pailloux, delegado-geral para o Armamento, uma startup de defesa não entrega: fabricar em volumes muito elevados, com robôs de linha de produção, é outro problema industrial.

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