A BYD lançou no Japão, na terça-feira (28), o Racco, seu primeiro kei car — e a primeira incursão de uma marca estrangeira na categoria que sustenta o mercado japonês. O carrinho elétrico foi desenvolvido do zero para o país, e não adaptado de um modelo chinês, e coloca a fabricante para brigar com Suzuki, Daihatsu, Honda e Nissan em casa.
A linha tem três versões, todas com imposto de consumo incluído: Racco 200, por 2.145.000 ienes, Racco 300 Plus, por 2.398.000 ienes, e Racco 300 Premium, por 2.497.000 ienes — valores que vão de R$ 66.816 a R$ 77.781, na conversão direta. O nome remete ao rakko, a lontra-marinha.
O que é um kei car e por que o segmento importa tanto

Os kei cars formam uma classe regulada por lei no Japão. Para se enquadrar, o carro não pode passar de 3,40 m de comprimento, 1,48 m de largura e 2 m de altura, com motor limitado a 660 centímetros cúbicos e 64 cv. Em troca, o proprietário paga menos imposto e seguro — vantagem que fez da categoria a mais popular do país.
Os números explicam o interesse da BYD: em 2025, foram 1.667.360 kei cars emplacados no Japão, ou 36,5% dos 4.565.777 veículos novos vendidos no ano, segundo as associações japonesas de concessionárias e de veículos leves. É mais de um terço do mercado concentrado num único formato.
O Racco cabe nesse gabarito com folga mínima: 3,39 m de comprimento, 1,47 m de largura e 1,80 m de altura. O motor dianteiro entrega exatamente os 64 cv do teto legal e 16,3 kgfm, e a cabine leva até quatro passageiros.
Onde a BYD está no Japão antes do Racco

A marca vende carros de passeio no país desde janeiro de 2023 e acumulava pouco mais de 7.400 unidades entregues até o fim de 2025. Só em 2025 foram 3.870 emplacamentos, alta de 62%, segundo a Associação Japonesa de Importadores de Automóveis. No primeiro semestre de 2026 somou 2.388 unidades, avanço de 40%, na 16ª posição entre as importadas. A meta é registrar 10 mil pedidos do Racco até o fim do ano.
A vantagem técnica e o problema do subsídio
O trunfo do modelo é a autonomia. As versões 300 usam bateria de fosfato de ferro-lítio de 35,8 kWh e alcançam 320 km no ciclo WLTC — o primeiro kei car elétrico a passar dos 300 km. A de entrada tem 22,4 kWh e 210 km. O Nissan Sakura, elétrico mais vendido do Japão, parte de 2.448.600 ienes e chega a 180 km. O Racco ainda aceita recarga rápida de até 100 kW e traz portas de correr elétricas, sistemas ADAS e chave por NFC no celular.
O obstáculo está no incentivo: elétricos de marcas japonesas acessam subsídio de até 580 mil ienes, enquanto importados como o Racco só se qualificam para os 150 mil ienes do programa básico. O carro tem a menor etiqueta do segmento, mas não o menor preço final.
