A Porsche escolheu um jeito nada convencional de mostrar a potência do novo Cayenne elétrico: colocou o SUV a 269 km/h por baixo do maior avião do mundo, exatamente enquanto ele decolava. Depois, repetiu a dose com o avião pousando. Ao todo, foram duas decolagens e dois pousos no deserto dos Estados Unidos.
O avião gigante e o cenário
A cena foi gravada no Mojave Air and Space Port, na Califórnia. O avião é o Roc, da Stratolaunch: uma aeronave experimental de fuselagem dupla, usada como plataforma de lançamento para veículos espaciais.
- Envergadura de 117 m, a maior do planeta;
- Seis motores que somam 154 toneladas de empuxo;
- Peso máximo de decolagem de 590 toneladas.
Uma ideia que partiu dos engenheiros da Stratolaunch
A proposta não nasceu na Porsche, e sim entre os engenheiros da Stratolaunch. Ao estudar a aerodinâmica do Roc, eles calcularam que existe um ponto de calma no meio do violento deslocamento de ar: logo atrás do trem de pouso e à frente da cauda, onde o jato dos motores e a turbulência praticamente desaparecem.
O problema é que essa bolha se move junto com o avião. O motorista precisaria entrar nela antes de os motores acelerarem e permanecer ali, milimetricamente, até a decolagem. Atrasar significaria pegar o jato em cheio, com risco de o carro ser jogado para o alto. Adiantar significaria bater no trem de pouso.
A tarefa exigia potência para acompanhar o avião em qualquer velocidade, estabilidade e capacidade de passar de 257 km/h, acima da velocidade de decolagem do Roc.
Por que o Cayenne Turbo Electric
Era uma oportunidade ideal para o novo Cayenne Turbo Electric, que entrega 1.155 cv e 153 kgfm, vai de 0 a 100 km/h em cerca de 2,5 segundos e tem aerodinâmica ativa. O peso, normalmente um defeito, virou vantagem: com 2.645 kg, o SUV não foi sacudido pela turbulência como um carro leve provavelmente seria.
Ao volante estava Patrick Long, piloto de endurance e ex-integrante da equipe de fábrica da Porsche. "Foi provavelmente um dos momentos mais focados e intensos da minha vida", disse Long. Ele contou que começou devagar, usando o mínimo de potência para se manter na posição exata, e que a aceleração de verdade só veio quando os seis motores do avião entraram em regime. Passados os 161 km/h, acionou o modo Boost e foi até o fim, colado no trem de pouso. Ao olhar o painel, viu algo acima de 273 km/h antes de aliviar o acelerador.
Pouso e caronas
A manobra de pouso repete o que a Força Aérea americana faz há décadas com o Lockheed U-2, acompanhado por um carro de apoio na aproximação — só que aqui com um avião de envergadura três vezes maior. Nas passagens seguintes, o Cayenne levou caronas: o ator Orlando Bloom, embaixador da Porsche Design, o jornalista Mat Watson e dois chefes de equipe da Stratolaunch.
Para o mercado brasileiro, o episódio funciona como demonstração de força do Cayenne elétrico, que combina potência, estabilidade e aerodinâmica ativa em um SUV pesado. A ação mostra como a Porsche pretende apresentar a nova geração do modelo ao público e reforça o argumento de que peso e desempenho podem andar juntos nos elétricos.
