terça-feira, 28 de julho de 2026

Porsche acelera o novo Cayenne elétrico por baixo do maior avião do mundo

A Porsche escolheu um jeito nada convencional de apresentar a potência do novo Cayenne elétrico: colocou o SUV a 269 km/h por baixo do maior avião do mundo, exatamente enquanto ele decolava. E depois repetiu a dose com o avião pousando.

A cena foi gravada no Mojave Air and Space Port, na Califórnia. O avião é o Roc, da Stratolaunch: uma aeronave experimental de fuselagem dupla usada como plataforma de lançamento para veículos espaciais. São 117 m de envergadura, a maior do planeta, além de seis motores que somam 154 toneladas de empuxo e peso máximo de decolagem de 590 toneladas.

A ideia não partiu da Porsche, e sim dos engenheiros da Stratolaunch. Ao estudar a aerodinâmica do Roc, eles calcularam que existe um ponto de calma no meio do violento deslocamento de ar: logo atrás do trem de pouso e à frente da cauda, quando o jato dos motores e a turbulência praticamente desaparecem.

O problema é que essa bolha se move junto com o avião. Ou seja, o motorista teria de entrar nela antes de os motores acelerarem e ficar ali, milimetricamente, até a decolagem. Atrasar significaria pegar o jato em cheio, com risco de o carro ser jogado para o alto. Adiantar significaria bater no trem de pouso.

Precision meets power: Porsche Cayenne Electric accelerates into the eye of a storm 2
Foto: Porsche | Divulgação

Por que um SUV elétrico de 1.155 cv

A tarefa exigia potência para acompanhar o avião em qualquer velocidade, estabilidade e capacidade de passar de 257 km/h, acima da velocidade de decolagem do Roc. Era uma oportunidade ideal para o novo Cayenne Turbo Electric, que entrega 1.155 cv e 153 kgfm, vai de 0 a 100 km/h em cerca de 2,5 segundos e tem aerodinâmica ativa.

O peso, normalmente um defeito, virou vantagem: com 2.645 kg, o SUV não foi sacudido pela turbulência como um carro leve provavelmente seria. Ao volante ia Patrick Long, piloto de endurance e ex-integrante da equipe de fábrica da Porsche.

“Foi provavelmente um dos momentos mais focados e intensos da minha vida”, disse Long. Ele contou que começou devagar, usando o mínimo de potência para se manter na posição exata, e que a aceleração de verdade só veio quando os seis motores do avião entraram em regime. Passados os 161 km/h, acionou o modo Boost e foi até o fim, colado no trem de pouso. Ao olhar o painel, viu algo acima de 273 km/h antes de aliviar o acelerador.

Foram duas decolagens e dois pousos por baixo do Roc. A manobra de pouso repete o que a Força Aérea americana faz há décadas com o Lockheed U-2, acompanhado por um carro de apoio na aproximação — só que aqui com um avião de envergadura três vezes maior. Nas passagens seguintes, o Cayenne levou caronas: o ator Orlando Bloom, embaixador da Porsche Design, o jornalista Mat Watson e dois chefes de equipe da Stratolaunch.

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