quarta-feira, 6 de maio de 2026

Sistema de som assinado: como é o desenvolvimento e quem fabrica o som do carro?

Encontrar um logotipo com Bang & Olufsen,Bose, Beats, Harman Kardon e Mark Levinson, só para citar algumas marcas, costuma ser a garantia de que houve um carinho especial com o sistema de som do carro. Mas isso não necessariamente quer dizer que foi a grife quem fabricou todo o sistema de som do carro.

O caso do proprietário de um Jeep Commander que resolveu processar a fabricante ao descobrir que os alto-falantes não eram fabricados pela Harman Kardon foi publicado na edição de março. No entanto, toda toda a repercussão que o caso teve, tanto a Jeep quanto a Harman Kardon resolveram esclarecer como funciona a colaboração entre elas. Quem é o real fabricante do sistema de som?

“A Stellantis e a Harman Kardon reforçam que o sistema de áudio do Jeep Commander é resultado de um desenvolvimento conjunto, conduzido desde as fases iniciais do projeto, com definição técnica, sound tuning e validação acordados entre as partes, seguindo os padrões globais de ambas as empresas. Essa parceria garante que a experiência sonora entregue ao cliente final reflita fielmente a identidade da Harman Kardon, independentemente de onde os componentes sejam produzidos, reafirmando o compromisso de ambas as empresas com qualidade, transparência e excelência técnica junto aos clientes e ao mercado”, diz nota conjunta das empresas. 

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Nissan Kicks tem alto-falantes Bose nos encostos de cabeçaFernando Pires/Quatro Rodas

Primeiro, é importante entender que cada marca de aparelhos de áudio High-End (de alta fidelidade) tem sua própria assinatura sonora. Os Beats, por exemplo, têm mais grave e os Bose costumam ter o som mais flat, focado na definição sem destacar agudos ou graves apenas. Mas nem sempre a presença de um sistema premium significa que os amplificadores e os alto-falantes são fabricados por aquela marca. O que é garantido é a calibração acústica específica.

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Na prática, o projeto do sistema (posicionamento dos alto-falantes, equalização) é chancelado por uma grife de áudio, resultando em frequências mais consistentes e adequadas ao uso do carro. O projeto muitas vezes envolve modificações no habitáculo do veículo para melhorar a reflexão e propagação das ondas sonoras.

Algo do tipo aconteceu durante o desenvolvimento do Jeep Commander. “Podemos exemplificar essa atividade conjunta de engenharia Harman Kardon e Stellantis por meio da tecnologia Fresh Air, na qual o subwoofer original do Commander permite que o alto-falante utilize dutos de ar para acoplamento acústico com a cabine, operando de forma eficiente sem a necessidade dos tradicionais alto-falantes no porta-malas. Além disso, todo trabalho de equalização específica do padrão Harman Kardon, assim como especificações de performance de sistema definidas pela empresa são aplicadas na arquitetura de áudio dos veículos para garantir a resposta acústica premium e a qualidade da experiência sonora dos produtos Harman Kardon”, diz o comunicado conjunto das empresas.

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Sistema de som B&W do BMW i7 coloca alto-falantes em diferentes posições da portaDivulgação/Quatro Rodas

A integração do sistema de som começa nas fases iniciais do projeto do veículo. A Harman Kardon estabelece as diretrizes de arquitetura sonora e as metas de desempenho que o conjunto deve atingir. Isso inclui desde o posicionamento dos alto-falantes até o mapeamento das frequências sonoras que devem ser priorizadas para compensar os ruídos naturais de rodagem e a aerodinâmica do carro em velocidades de rodovia.

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Todo o processamento de áudio é definido pela Harman Kardon para manter a assinatura sonora da marca, independentemente da origem dos componentes físicos. É aí que entra um ponto que realmente separa os sistemas assinados mais comuns daqueles que são high-end de fato, que equipam carros de luxo.

Christian Castanho
Tela de ajuste do som dos AudiChristian Castanho/Quatro Rodas

O processamento do som acontece dentro da central multimídia do próprio carro. Seus módulos internos são ajustados de acordo com as definições da Harman Kardon, mas a central em si é da Marelli, fabricada no México. A fabricação dos alto-falantes é feita no Brasil, por meio de fornecedores locais que são homologados e certificados pela Stellantis e pela Harman.

A estratégia visa otimizar a logística de produção em Goiana (PE). Segundo as empresas, essa nacionalização não altera a engenharia ou a validação técnica final, já que os padrões de qualidade e os materiais seguem as normas internacionais exigidas pelo grupo Harman.

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“A presença da marca Mopar em componentes individuais refere-se exclusivamente à identificação de peças de reposição para o sistema de pós-venda. A Mopar não é a fabricante dessas peças e sim, a marca oficial para a reposição de peças genuínas no Pós-Vendas da Stellantis”, reforçam Jeep e Harman Kardon.

Outro patamar de som high-end

Um Jeep Commander usa o som Harman Kardon com 450 Watts de potência, distribuídos por 10 canais, sendo 9 alto-falantes e um subwoofer. O Jeep Compass já usa um sistema de som Beats com 506W, com o mesmo número de canais e falantes. O antigo Compass 4XE, por sua vez, chegava da Itália com um som Alpine com 8 falantes, subwoofer e os mesmos 506 W.

Em segmentos superiores, os sistemas de som assinados chegam a patamares de qualidade diferentes. Os Jeep Cherokee são, por tradição, equipados com sistema de som da McIntosh, uma variação do sistema McIntosh MX950 com 19 alto falantes e potência de 950 W. Desses alto-falantes, 12 deles ocupam posições otimizadas para a máxima qualidade sonora.

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Sistema de som McIntosh dos Jeep mais luxuosos tem tradicional indicador de pressão sonoraDivulgação/Jeep
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Neste caso, existe também um amplificador a parte para dar conta de todos os 17 canais, os alto-falantes são da própria McIntosh e usam materiais otimizados para tornar o som mais cristalino. O subwoofer tem 10 polegadas e bobina dupla, também.

Quando de chega no patamar dos Bowers & Wilkins de Aston Martin BMW, McLaren, Maserati e Volvo, dos Naim dos Bentley, dos Burmester dos Mercedes-Benz e dos Mark Levinson dos Lexus, a composição dos alto-falantes inclui tecnologias e materiais mais sofisticados. É o caso dos cones de berílio, cerâmica, magnésio, fibra de carbono e sanduíches de papel/espuma sintética, além de ímãs de neodímio,  magnésio nos tweeters e carcaças de alumínio. Quanto mais rígido e leve é o alto-falante, menos distorção ele tende a ter.

E não custa dizer que Bang & Olufsen Automotive, Harman Kardon, JBL, Selenium, Infinity e Mark Levinson pertencem à mesma corporação, a Harman. E cada marca tem sua própria assinatura sonora.

Aqui temos um comparativo entre os sistemas de som de carros de luxo. É importante conferir para entender aquilo que se espera de um sistema de som de alta qualidade.

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O som Beats está confirmado como opcional nas versões mais caras do modelo produzido no Brasil
Até o Volkswagen Polo já teve sistema de som Beats no BrasilReprodução/Volkswagen

E, novamente, não adianta ter bons alto-falantes para que o sistema de som seja bom. Os módulos precisam ter qualidade de reprodução, a montagem dos alto-falantes precisa ser boa para que o carro não vibre e distorça o áudio com toda a sua pressão sonora, e a estrutura do carro precisa estar adequada à potência do sistema de som. Sound tuning e uma boa equalização, seguindo critérios, é um bom começo. Alto-falantes de qualidade são desejáveis.

Ter tudo isso ainda não basta. Não adianta ter um sistema de som high-end para reproduzir músicas em serviço de streaming com baixa qualidade. Não é toda plataforma que tem músicas com alta fidelidade (Hi-Fi ou Lossless). Ainda assim, o ideal é ter os arquivos baixados com a menor perda de compressão possível, em Flac e Alac, por exemplo, ou mesmo em CD. Aí sim será possível aproveitar todo o potencial do sistema de som.

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