Resumo
Os motoristas brasileiros já sentem os reflexos de um cenário global conturbado nos preços da gasolina e do diesel nos postos. Entre fevereiro e março de 2023, os valores mĂ©dios do litro da gasolina comum e do diesel S10 subiram no paĂs, em meio Ă s tensões geopolĂticas no Oriente MĂ©dio que impactam a cotação internacional do barril de petrĂłleo. Embora ainda nĂŁo tenha havido reajuste oficial da Petrobras, a expectativa de alta nos preços praticados pela estatal tem pressionado o mercado interno.
O motorista brasileiro já sente no bolso o reflexo de um cenário global conturbado. Na passagem de fevereiro para a primeira semana de março, os preços mĂ©dios da gasolina e do Ăłleo diesel registraram alta nos postos brasileiros, de acordo com os dados mais recentes da AgĂŞncia Nacional do PetrĂłleo, Gás Natural e BiocombustĂveis (ANP).
Entre os dias 22 e 28 de fevereiro, o preço médio do litro da gasolina comum no Brasil era de R$ 6,28. No levantamento seguinte, referente à semana de 1 a 7 de março, o valor médio cobrado nas bombas subiu para R$ 6,30 o litro.
O preço do litro do diesel S10, combustĂvel mais demandado por veĂculos de carga e picapes mĂ©dias, apresentou um salto mais expressivo no mesmo perĂodo: passou de R$ 6,09 para R$ 6,15. A gasolina aditivada e o diesel comum (S500) tambĂ©m acompanharam o movimento de alta, chegando a R$ 6,51 e R$ 6,08, respectivamente.
Na contramĂŁo dos derivados de petrĂłleo, o etanol hidratado apresentou um leve recuo no perĂodo, passando de R$ 4,63 para R$ 4,61 o litro. Já o GNV (Gás Natural Veicular) manteve a estabilidade, estacionado na mĂ©dia de R$ 4,35 por metro cĂşbico.
O peso da geopolĂtica no tanque

A escalada dos preços dos combustĂveis fĂłsseis no mercado interno nĂŁo Ă© um movimento isolado, mas sim um reflexo das tensões geopolĂticas no Oriente MĂ©dio. Os recentes confrontos envolvendo Israel, Estados Unidos e IrĂŁ geraram um alerta global sobre a segurança energĂ©tica, impactando fortemente a cotação do barril de petrĂłleo tipo Brent — a principal referĂŞncia internacional de preços de combustĂveis fĂłsseis.
O temor do mercado em relação a possĂveis bloqueios em rotas cruciais de escoamento, como o Estreito de Ormuz, ou ataques a infraestruturas de produção, força a cotação do petrĂłleo para cima. No entanto, ainda que o custo global do barril interfira no cálculo do custo dos combustĂveis no Brasil, ainda nĂŁo houve reajuste oficial nos preços praticados pela Petrobras para as distribuidoras.
O aumento do preço dos combustĂveis em alguns postos, neste momento, está relacionado a uma expectativa de um aumento dos preços da Petrobras para as distribuidoras de combustĂveis. O aumento do preço do barril de petrĂłleo no mercado internacional (escalou dos 70 dĂłlares em 23 de fevereiro para quase 120 dĂłlares na segunda-feira, 9), chegou a aumentar a demanda por combustĂveis nas distribuidoras brasileiras. Nesta quinta-feira, o custo do Brent ficou ao redor dos 100 dĂłlares.
No momento atual, porém, ainda existe a expectativa por algum aumento por parte da Petrobras. A expectativa de aumento, porém, é maior para o diesel. Isso porque grande parte do diesel consumido no Brasil é importado.
Historicamente, o mercado de transportes e de automĂłveis de passeio no Brasil Ă© vulnerável a esses choques externos. O encarecimento do diesel, por exemplo, nĂŁo atinge apenas os proprietários de picapes, mas afeta toda a cadeia logĂstica, pressionando o valor do frete e, consequentemente, a inflação de bens de consumo.
