Resumo
O Karmann Ghia TC era um veĂculo exclusivo para o mercado brasileiro, desenvolvido para suceder o pioneiro Karmann Ghia. Com linhas que remetiam ao Porsche 911, o TC trazia vantagens como maior capacidade de passageiros e porta-malas. No entanto, o modelo sofria com problemas de corrosĂŁo precoce, causados por falhas de projeto como entradas de ar dianteiras que agiam como coletores de chuva. Apesar de suas qualidades, as vendas do TC nĂŁo corresponderam Ă s expectativas da Volkswagen, que encerrou a produção em 1976. O TC, assim como o VW SP2, nĂŁo conseguiram ocupar a fatia de mercado deixada pela primeira geração do Karmann Ghia.
Publicado originalmente em março de 2004
O manual do proprietário supostamente serve para ajudar o dono a conservar o veĂculo em boas condições. Essa Ă© a regra geral no universo automotivo. A foto de capa do livreto de instruções de fábrica, no entanto, mostrava um Karmann Ghia TC Ă beira do mar com as rodas na água.
A prática de expor o veĂculo à água salgada Ă© sabidamente condenável. No caso do TC, a cena chega a ser irĂ´nica, visto que o modelo clássico teve uma existĂŞncia breve, de 1970 a 1976. Grande parte desse ciclo curto de produção se deve Ă justificada fama do modelo de enferrujar ao primeiro sinal de chuva.

Várias suspeitas foram levantadas para diagnosticar a oxidação precoce. O tratamento incorreto das chapas metálicas e o armazenamento inadequado foram as principais. Além disso, as entradas de ar dianteiras atuavam como coletores de chuva, transformando as caixas de ar em pequenos reservatórios de água.
Os aros dos faróis e a moldura da janela traseira eram outros pontos vulneráveis causados por falhas de projeto. Na sensibilidade às intempéries pode estar a resposta para explicar o encerramento de um projeto que tinha grande potencial.

O TC era um veĂculo exclusivo para o mercado brasileiro, desenvolvido para suceder o pioneiro Karmann Ghia. Ao contrário do antecessor, a criação do TC foi de autoria dos estilistas da Volkswagen. A marca alemĂŁ repassou o projeto para a Karmann Ghia, responsável por fabricar as carrocerias.
O fastback era montado sobre a plataforma da VW Variant e do TL, com linhas que remetiam ao Porsche 911. O projeto trazia vantagens sobre o antecessor, como a capacidade de acomodar até cinco passageiros e um porta-malas de volume satisfatório. Havia também a opção de rebater o banco traseiro bipartido para aumentar o compartimento de carga.

O habitáculo eliminou dois inconvenientes do modelo antigo: a turbulĂŞncia interna com os vidros abertos e o desconforto causado pela incidĂŞncia do sol na nuca dos ocupantes. A visibilidade era superior, assim como o espaço na dianteira. Por pouco mais de 10% de acrĂ©scimo sobre o valor do Karmann Ghia tradicional, com o qual conviveu por trĂŞs anos, o comprador levava um veĂculo mais moderno e prático.

Em matĂ©ria de desempenho, o modelo mantinha a limitação dos 65 cv do motor VW 1600 refrigerado a ar. A velocidade máxima de 142 km/h e a aceleração de 0 a 100 km/h em 23 segundos nĂŁo condiziam com a proposta visual do fastback. Em compensação, o consumo de combustĂvel recebia elogios na Ă©poca.
O câmbio tinha acionamento suave e preciso. A suspensão era calibrada para o conforto, apesar das rodas de aro 15 originais. Na década de 1970, a primeira providência tomada por quem desejava um perfil mais esportivo era adotar pneus radiais de aro 14 no lugar dos diagonais de fábrica. Um leve rebaixamento na suspensão também fazia parte das modificações habituais, assim como ajustes mecânicos no motor.

Com as vulnerabilidades de projeto evidenciadas, as vendas do TC não corresponderam às expectativas da Volkswagen, que encerrou a produção do modelo em 1976. Nem o TC e tampouco o VW SP2, lançado em meados da mesma década, foram capazes de ocupar a fatia de mercado deixada pela primeira geração do Karmann Ghia.
Janeiro de 1971
“O desempenho do Karmann Ghia TC nĂŁo corresponde ao seu aspecto agressivo. Foi o que concluĂmos com nosso teste, em que verificamos que ele Ă© um carro econĂ´mico, bem-acabado e resistente, mas nĂŁo corre nem acelera como se poderia esperar por sua aparĂŞncia: pode chegar aos 140 km/h e faz de 0 a 100 km/h em 22,9 segundos (…). A distribuição de massas Ă© boa, e os dois farĂłis sĂŁo coerentes com o conjunto. (…) As grades dianteiras cromadas, que cobrem as entradas de ar, e o distintivo VW destoam (…). O painel do TC Ă© igual ao do Karmann Ghia antigo: pobre e com poucos instrumentos. Faltam no mĂnimo um conta-giros e um termĂ´metro de Ăłleo. (…) O volante comum nĂŁo combina com a natureza esportiva do TC.”

Teste QUATRO RODAS – janeiro de 1971
Aceleração de 0 a 100 km/h: 22,9 s
Velocidade máxima: 136,7 km/h
Consumo: 7,8 a 10 km/l (médio)
Preço
Janeiro de 1971: Cr$ 21.128
Atualizado: R$ 194.129 (IGP-DI, janeiro de 2026)
Ficha técnica – Karmann Ghia TC
Motor: traseiro, 4 cilindros opostos, Cilindrada: 1.584 cmÂł
PotĂŞncia: 65 cv a 4.600 rpm
Torque: 12 mkgf a 2.600 rpm
Câmbio: manual, 4 marchas, tração traseira
Suspensão: dianteira independente; traseira por barra de torção
Dimensões: comprimento de 420 cm; largura de 162 cm; altura de 131 cm; peso de 920 kg
