sábado, 24 de outubro de 2026

Kawasaki entrega Tsurugidake, superpetroleiro de 340 metros movido a gás natural

A Kawasaki Heavy Industries, grupo japonês dono da fabricante de motos de mesmo nome, entregou um petroleiro gigante que pode navegar movido a gás natural. O Tsurugidake é o quarto superpetroleiro (VLCC, na sigla em inglês) do grupo com propulsão a gás natural liquefeito (GNL). A entrega ocorreu em 14 de outubro, à armadora Sequoia Navigation, no estaleiro que a Kawasaki mantém com a chinesa Cosco em Dalian, na China.

Tamanho e capacidade de carga

Com 339,50 m de comprimento, o navio tem mais de três campos de futebol enfileirados. Seus porões comportam 352.151 m³, o equivalente a cerca de 2,2 milhões de barris de petróleo.

O Tsurugidake tem velocidade de cerca de 15,45 nós (28,6 km/h), tripulação de 37 pessoas e bandeira do Panamá.

Motor bicombustível e casco redesenhado

O motor principal é um MAN de sete cilindros, de baixa rotação e curso ultralongo, com cerca de 13 mil litros de deslocamento. Ele é bicombustível: aceita GNL ou óleo combustível com baixo teor de enxofre (LSFO). Cada pistão tem 80 cm de diâmetro e percorre 3,72 m dentro do cilindro. O motor trabalha com uma hélice de grande diâmetro, pensada para gastar menos combustível.

O casco também recebeu atenção. No lugar do bulbo de proa tradicional, a protuberância arredondada que fica abaixo da linha d'água, o navio ganhou uma proa redesenhada, que reduz a resistência das ondas.

Emissões e regras ambientais

Segundo a Kawasaki, ao usar GNL as emissões de dióxido de carbono (CO₂) caem de 25% a 30%. As de óxidos de nitrogênio (NOx) recuam cerca de 85%, e as de óxidos de enxofre (SOx) são eliminadas. A comparação é feita com motores movidos a óleo pesado.

  • O navio tem lavadores de gases (scrubbers) no escapamento do motor e dos geradores.
  • Esses equipamentos retiram o enxofre e permitem seguir usando óleo convencional dentro das regras em vigor desde 2020, o que reduz o custo com combustível.
  • O Tsurugidake atende à Fase 3 do Índice de Projeto de Eficiência Energética (EEDI), regra internacional que exige dos petroleiros encomendados a partir de 2025 um corte de 30% nas emissões de CO₂ em relação à Fase 0.

Ligação com o Brasil

No Brasil, a Kawasaki foi sócia, com 30%, do estaleiro Enseada do Paraguaçu, na Bahia. A unidade foi criada para construir navios-sonda do pré-sal e acabou atingida pela crise da Sete Brasil.

Para o mercado brasileiro, a entrega mostra que a Kawasaki vai além das motos e atua forte na construção naval, com tecnologia voltada à redução de emissões. O histórico da empresa no país, ligado à indústria naval do pré-sal, reforça a relevância do tema para quem acompanha o setor.

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