sábado, 24 de outubro de 2026

A era dourada dos esportivos brasileiros — parte 2: de 2007 a 2017

A segunda parte da série sobre os esportivos fabricados ou importados para o Brasil entre 2007 e 2017 traz mais uma leva de modelos de uma década marcada pela boa variedade de carros com pegada esportiva. Entram na lista o Peugeot 208 GT, o Citroën DS3, o Volkswagen Fusca TSI, a Fiat Strada Sporting e o Fiat Punto T-Jet, além de um lembrete sobre o New Beetle.

O contexto: a abertura das importações

Para entender o cenário, vale lembrar o que aconteceu com os importados. Em 1990, o governo Collor liberou a importação de carros, proibida desde 1976, com alíquota de 85% do Imposto de Importação. Em junho de 1993, o percentual caiu para 35%, o que permitiu a entrada de carros mais compactos e de mais marcas generalistas, incluindo esportivos pequenos japoneses e franceses. Em setembro de 1994, logo depois da troca de moeda para o Real, a alíquota chegou a 20%.

O resultado foi uma avalanche de carros de todas as procedências. Um Alfa-Romeo 164 zero km podia custar o mesmo que um Chevrolet Omega CD novo. A balança comercial do setor, porém, ficou desequilibrada, em prejuízo da indústria local. No começo de 1995 a alíquota voltou a subir para 35% e, a partir de março, ficou em 70%, para conter a saída de dólares. Sem estabilidade fiscal, os preços flutuavam muito e a oferta dependia das decisões do governo. Mais de uma década depois, com o mercado de importados oficiais mais maduro e novas fábricas instaladas no país, ficou mais justo avaliar os esportivos que dava para ter na garagem.

Peugeot 208 GT e Citroën DS3: os franceses turbinados

A veia entusiasta dos Peugeot pequenos já aparecia no 206, elogiado pelo comportamento nas curvas e campeão no WRC em dois títulos seguidos. Ela se materializou no 208 GT, em 2017, com o motor 1.6 THP Flex, vindo do 2008. O motor rendia 173 cv a 6.000 rpm com álcool, e o carro ia de 0 a 100 km/h em 7,6 segundos, com máxima de 220 km/h. Trazia ainda para-choque dianteiro exclusivo, rodas de 17 polegadas, spoiler traseiro e saída dupla de escapamento. Teve vida curta, de apenas dois anos. O 208 GT de 2026 usa motor um litro e câmbio automático da Fiat, e não repete a proposta do original.

O Citroën DS3, primeiro modelo da linha premium DS no Brasil, mirava o território de Mini Cooper e Audi A1. Tinha teto flutuante, colunas personalizáveis e variedade de acabamentos. Seu motor 1.6 THP entregava 165 cv, com câmbio manual de seis marchas e bancos dianteiros esportivos. Em um comparativo do Top Gear, foi chamado de forma pejorativa de "tênis esportivo". O DS3 deixou de ser importado em 2017, e hoje vê-lo nas ruas é raro.

Fusca TSI, Strada Sporting e Punto T-Jet

O New Beetle, que chegou na onda retrô da virada do milênio, era um carro pacato, com base de Golf IV, motor dois litros de 8 válvulas e 116 cv. Já o Fusca, que assumiu o nome no Brasil em 2013, usou a plataforma PQ35 e o motor dois litros TSI, o mesmo do Golf GTI e do Jetta GLI. Eram 200 cv, com câmbio DSG ou manual de seis marchas, configuração negada ao Golf e ao Jetta. Perdia por pouco para eles em aceleração e velocidade máxima, mas compensava no envolvimento ao dirigir.

No campo das picapes, a Fiat Strada Sporting de 2010 trouxe visual esportivo e o motor E.Torq 1.8 16v de 132 cv. Tinha diferencial de relação 3,867 e suspensão mais firme. Com álcool, ia de 0 a 100 km/h em 9,7 segundos e chegava a 184 km/h.

O Punto, apresentado em 2007, ganhou a versão T-Jet com motor 1.4 16v turbo, de 152 cv e 21,1 kgfm de torque a 2.250 rpm, com pressão de cerca de 0,9 bar. Câmbio de cinco marchas, freios a disco nas quatro rodas e suspensão reforçada completavam o conjunto. Fazia de 0 a 100 km/h em 8,3 segundos e chegava a 203 km/h. Saiu de linha em 2016, e seu sucessor, o Argo HGT, não conseguiu fazer os entusiastas esquecerem o T-Jet.

Para o mercado brasileiro, o recado é que a década de 2007 a 2017 reuniu esportivos de propostas bem variadas, de importados franceses a picapes compactas, e que modelos assim hoje são raros. A série continua na próxima parte, que deve lembrar também o Bravo T-Jet.

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