A GAC apresentou no Salão de Paris o Aion UT Cross, versão aventureira do hatch elétrico que recorre a uma receita já conhecida dos brasileiros: molduras nas caixas de roda, barras no teto e ajustes no chassi. O modelo segue o caminho de Volkswagen CrossFox e Hyundai HB20X, e promete até 400 km de autonomia pelo ciclo europeu WLTP.
Um hatch com visual aventureiro
O tratamento Cross segue quase à risca a cartilha dos aventureiros vendidos por aqui. Há molduras pretas contornando as caixas de roda e a parte inferior das portas, além de apliques prateados nos para-choques que imitam proteções metálicas. As barras de teto completam o pacote, e a GAC ainda colocou pranchas de surfe nas imagens de divulgação para reforçar a proposta.
Na dianteira, o acabamento preto conecta os conjuntos inferiores de iluminação, cada um com quatro pequenos elementos quadrados. Na traseira, uma área maior de plástico preto envolve a placa e os refletores. As rodas de desenho geométrico e o teto em cor contrastante ajudam a diferenciar a versão, mas as formas arredondadas da carroceria continuam revelando o hatch por baixo da roupa aventureira.
Diferente do caminho da GWM
A intenção da GAC é disputar espaço com os modelos mais altinhos das rivais, como GWM Ora 5 e BYD Yuan Pro, mas com uma transformação menos profunda. A GWM fez do Ora 5 um SUV maior que o Ora 03: ele ficou 23,6 cm mais comprido e ganhou 7 cm de entre-eixos. Já o UT Cross mantém os 2,75 metros entre os eixos do hatch.
Isso não significa falta de espaço. O carro oferece porta-malas de 440 litros, permite rebater os bancos traseiros para formar uma superfície plana de carga e espalha 24 porta-objetos pela cabine.
Houve também trabalho além da aparência: uma calibração de chassi específica para as estradas europeias e pneus de 225 mm de largura. Segundo a fabricante, o modelo mantém 147 mm de altura livre do solo mesmo com carga máxima, medida que considera a suspensão já comprimida pelo peso dos ocupantes e da bagagem.
Mesma bateria, até 400 km de alcance
Na parte elétrica, a GAC aproveitou a bateria Magazine de 60 kWh do UT convencional. Ela sustenta a autonomia declarada de até 400 km no ciclo WLTP, diferente do adotado pelo Inmetro no Brasil. A recarga rápida permite passar de 30% a 80% em 24 minutos, segundo a marca, desde que usada em eletropostos de alta potência.
A cabine mantém o quadro de instrumentos digital e a central multimídia do carro já oferecido por aqui, gerenciados por uma plataforma da Qualcomm. O pacote de segurança inclui sete airbags.
E o Brasil?
Enquanto a GAC apresenta a versão aventureira na Europa, o Aion UT convencional se prepara para ganhar cidadania brasileira. O hatch foi o escolhido da marca para ser montado no país, com início previsto ainda para 2026 na fábrica da HPE Automotores em Catalão (GO), onde também são produzidos os Mitsubishi Eclipse Cross e Triton. A confirmação foi feita em setembro por Mauro Correia, CEO da HPE.
Inicialmente, a operação utilizará kits parcialmente desmontados enviados da China, no regime conhecido como SKD, com previsão de incorporar mais etapas industriais e ampliar o conteúdo nacional em aproximadamente um ano.
Para o mercado brasileiro, o UT Cross indica uma possível via para a GAC diversificar o Aion UT com uma versão aventureira, fórmula que já funcionou com outros hatches por aqui. Por ora, a variante foi mostrada na Europa, e não há confirmação na fonte de que ela chegará ao Brasil.
