quinta-feira, 15 de outubro de 2026

Após fracasso do Charger elétrico, Dodge deve trazer de volta o Hemi V8 Hellcat em 2028

O Dodge Charger elétrico não repetiu o sucesso histórico do nome, e a Dodge agora pode recorrer ao que deixou para trás: o motor Hemi V8. Segundo o Automotive News, a marca planeja iniciar a produção do novo Charger SRT Hellcat até o fim de 2027, já como linha 2028. A versão elétrica vendeu apenas 767 unidades nos Estados Unidos entre janeiro e setembro de 2026, uma queda de 89%.

O plano para o Charger SRT Hellcat

De acordo com o Automotive News, o esportivo usaria o conhecido motor 6.2 V8 com compressor mecânico. A Dodge já teria informado aos fornecedores uma previsão de fabricar cerca de 12 mil unidades por ano. Procurada pelo Motor1 nos Estados Unidos, a fabricante afirmou que não comenta planos de produtos futuros.

O visual deve acompanhar a proposta: o Hellcat da nova geração teria uma tomada de ar mais pronunciada no capô e um grande aerofólio traseiro. A expectativa é de potência superior a 700 cv, embora ainda não haja uma ficha técnica confirmada.

Se a produção realmente começar no fim de 2027, a apresentação poderá acontecer em agosto, durante o Roadkill Nights, evento que a fabricante costuma aproveitar para mostrar novidades de desempenho. Foi lá que estreou neste ano o Charger Super Bee, com uma versão de aproximadamente 608 cv do motor de seis cilindros, que, pelo visto, não deverá ocupar o topo da família por muito tempo.

Como a Dodge chegou até aqui

Quando encerrou a produção dos antigos Charger e Challenger, no fim de 2023, a Dodge deixou para trás os motores V8 que marcaram a história dos dois modelos e concentrou a sucessão no novo Charger, com carrocerias de duas e quatro portas.

  • A produção começou no fim de 2024, apenas com propulsão elétrica.
  • As versões a gasolina chegaram um ano depois, equipadas com o Hurricane 3.0 biturbo de seis cilindros em linha.

O que dizem os números de vendas

Os números da Stellantis mostram que os compradores continuam preferindo abastecer a carregar. Entre julho e setembro deste ano, a marca vendeu apenas 233 exemplares do Charger elétrico nos Estados Unidos, contra 3.446 das configurações a combustão, quase 15 vezes mais.

No acumulado de janeiro a setembro, o elétrico passou de 7.075 unidades em 2025 para 767 em 2026, enquanto o Charger a combustão somou 8.029 vendas. O lançamento das versões em etapas ajuda a contextualizar os volumes, mas não muda o fato de que a configuração a bateria perdeu quase nove de cada dez vendas de um ano para o outro. Mesmo sem o V8, portanto, as versões a gasolina já concentram a maior parte das vendas da nova geração.

Para dimensionar a distância em relação aos antecessores, em 2023, último ano de produção da antiga família, a Dodge vendeu 75.920 Charger e 44.960 Challenger nos Estados Unidos. Embora sejam resultados de um ano completo, com os dois modelos já estabelecidos, os volumes mostram o tamanho do público que a marca atendia antes de mudar a receita.

O que isso significa para o mercado

A possível volta do Hellcat mostra que, nos Estados Unidos, o apelo emocional do V8 segue pesando mais do que a aposta na eletrificação para um esportivo de nome tão ligado à tradição americana. Para o público brasileiro que acompanha o segmento de performance, o caso é um sinal de como a Dodge pretende reconstruir o interesse pelo modelo, ainda que não haja informação sobre planos para o Brasil.

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