A Jaguar revelou o Type 01, carro que inaugura sua nova fase 100% elétrica. A marca britânica quer se posicionar em um segmento mais exclusivo, deixando de competir com a BMW para mirar na Bentley. O Type 01 tem estilo marcante e original, sem referências ao passado da marca, e foi criticado por muitos fãs. Ainda assim, ele se encaixa em uma longa tradição de inovações da Jaguar, que se repete desde os anos 1940.
Da SS Cars ao XK120
O Reino Unido tinha muitos fabricantes independentes de esportivos. A SS Cars, de William Lyons, era uma delas e fazia roadsters com motores de seis cilindros em linha. Depois da Segunda Guerra Mundial, Lyons mudou o nome da empresa para Jaguar, porque a sigla SS era associada ao grupo de combate da Alemanha nazista.
O primeiro modelo inédito após a troca foi o esportivo XK120, apresentado no Salão de Londres em 1948, com desenho curvilíneo e moderno. Sob o capô estava o inédito seis cilindros em linha 3.4, chamado XK, que fez a fama da marca. Ele trazia duplo comando de válvulas, câmaras de combustão hemisféricas, cabeçote em alumínio e 160 cv.
O número do nome vem da velocidade máxima em milhas por hora, equivalente a 192 km/h, embora testes de revistas indicassem que ele podia chegar a 200 km/h. O XK120 foi bem-sucedido em corridas e quebrou recordes: um modelo modificado atingiu 277 km/h em 1953. O motor foi produzido até 1992, com várias melhorias, e equipou a maior parte dos carros desta lista.
Mark 1, Mark 2 e E-Type
A Jaguar também fazia sedãs grandes de visual conservador. Com o Mark 1, em 1955, entrou no mercado de sedãs médios executivos e acabou criando os sedãs esportivos. Ele usava o motor XK, primeiro em versão 2.4 e depois no 3.4 dos roadsters, com o qual acelerava de zero a 100 km/h em 9,1 segundos e dominou os campeonatos de turismo.
O sucessor Mark 2, de 1959, trouxe melhorias, o motor 3.8 do E-Type e freios a disco nas quatro rodas, algo inédito em um sedã. Seu desempenho de esportivo com quatro portas o tornou favorito dos ladrões de banco britânicos.
O E-Type, apresentado em 1961, foi um dos esportivos mais importantes do século XX, ao lado do Mercedes-Benz 300 SL, do Porsche 911 e do Lamborghini Miura, e recebeu elogios até de Enzo Ferrari. Sua carroceria foi desenhada pelo engenheiro aeronáutico Malcolm Sayer, com base em cálculos matemáticos para obter a melhor aerodinâmica possível. O seis cilindros de 3,8 litros entregava 265 cv, tinha suspensão traseira independente inovadora e freios montados junto ao diferencial para reduzir o peso não suspenso. Chegava a 246 km/h e ia de zero a 100 km/h em 6,4 segundos, rivalizando com a Ferrari a preços bem menores. Depois vieram o motor 4.2 e, por fim, um V12 que o transformou em grand tourer.
XJ, XF e F-Type
O primeiro XJ era um sedã de proporções tão bem resolvidas que poderiam servir a um carro moderno, com três volumes definidos, colunas finas e quatro faróis circulares. Herdou do E-Type o motor 4.2 de seis cilindros, o V12 5.3 e a suspensão traseira independente. Com o V12, era o sedã mais veloz do mundo, a 225 km/h. A terceira geração, lançada em 2003, inovou com monobloco todo em alumínio e pesava 1.790 kg, numa época em que sedãs desse porte já chegavam a 2 toneladas.
No fim dos anos 90, a Jaguar abusou da onda retrô, com desenhos inspirados nos anos 60 que escondiam carros modernos em alumínio e com motores novos. Ela rompeu com isso ao apresentar o XF, que estreou uma linguagem visual mais agressiva e sem referências ao passado. Como chamariz, lançou o F-Type, que sucedeu o XK, mas abandonou a proposta de grand tourer para ser um esportivo de fato, mirando o Porsche 911.
O F-Type tinha 4,47 m de comprimento, dois lugares e apenas motores V6 ou V8 com compressor mecânico, sempre com ronco borbulhante. Os V8 eram considerados ariscos, e muitos jornalistas preferiam o V6. O V8 ganhou depois tração integral, e a gama recebeu câmbio manual para o V6 e uma versão de entrada 2.0 turbo. Ficou 12 anos em linha e saiu de cena com a reformulação da marca.
O que isso significa para o mercado
O Type 01 tenta definir a Jaguar das próximas décadas, como esses modelos definiram a marca que conhecemos hoje. Para o público brasileiro, o recado é de uma marca que volta a romper com o próprio passado, agora com foco em um território mais exclusivo e totalmente elétrico. As críticas dos fãs mostram que, como em outros momentos de sua história, a ousadia da Jaguar divide opiniões.
