O presidente da Stellantis América do Sul, Herlander Zola, afirmou em entrevista nesta semana que, se o Brasil não rever sua política de importações, a cadeia industrial brasileira corre risco. Para ele, sem regras de estímulo, "é melhor produzir carros na China, desmontar e trazer para cá".
Um erro de leitura do Ocidente
Zola foi direto ao admitir que a indústria automobilística ocidental, de modo geral, demorou a perceber o modelo verticalizado de produção chinesa. Esse desenho resultou em custos bem menores e abriu caminho para o passo seguinte: a exportação para o mundo.
Segundo o executivo, Estados Unidos e União Europeia ergueram barreiras tarifárias para reagir a esse movimento. O Brasil, ao contrário, demorou a perceber as consequências.
Imposto de importação não é a única saída
Para Zola, a solução não está apenas em elevar o imposto de importação. Ele defende outros caminhos, como incentivar os fabricantes de veículos a comprar aço, pneus, plásticos e outros componentes de fornecedores instalados no País.
O executivo citou ainda que, só neste ano, serão importados 700.000 veículos leves. Diante do cenário atual, disse ser "importante criar regras de estímulo".
- Incentivar a compra de aço, pneus, plásticos e outros componentes de fornecedores locais;
- Não limitar a resposta ao aumento do imposto de importação;
- Criar regras de estímulo para a produção nacional.
O debate sobre a tarifa de CKD e SKD
O texto-fonte, assinado pela coluna Fernando Calmon, do AutoPapo, avalia que o Governo Federal ainda não se deu conta de que taxar a importação de veículos desmontados (CKD) ou semidesmontados (SKD) em 35% é uma barreira insuficiente. Segundo a coluna, EUA e União Europeia reagiram com alíquotas muito maiores para proteger empregos locais, dispensando a antiga norma da Organização Mundial de Comércio que estipulou alíquota máxima de 35%.
A coluna também aponta que as marcas chinesas exportam com grande ajuda governamental, sem transparência sobre custos trabalhistas reais e outros subsídios. Pressionadas pela Europa, elas já começam a instalar fábricas no continente e talvez até nos EUA, se estes permitirem.
O que significa para o mercado brasileiro
A fala de Zola coloca em discussão o tipo de política industrial que o Brasil quer adotar diante da avanço dos importados. Para a Stellantis, sem incentivo à compra de componentes de fornecedores instalados no País, a produção local perde competitividade e a cadeia de fornecedores fica ameaçada. O alerta vem de um dos maiores fabricantes em operação no país e reforça a pressão por regras mais claras para o setor.
