Entre janeiro e agosto de 2026, os financiamentos de veículos usados somaram 3,210 milhões de unidades no Brasil, contra 1,926 milhão de veículos novos. A diferença chegou a 1,284 milhão de operações, ou cerca de 1,28 milhão, segundo levantamento da Trillia, empresa de dados da B3. O dado mostra a força do mercado de segunda mão no crédito automotivo.
O que o levantamento considera
O recorte da Trillia vai além dos carros de passeio. Ele inclui automóveis, comerciais leves, motocicletas e veículos pesados. Essa distinção é fundamental para interpretar o tamanho do setor, porque os números reúnem categorias diferentes e não podem ser lidos como uma contagem apenas de carros.
- Financiamentos de usados: 3,210 milhões de unidades
- Financiamentos de novos: 1,926 milhão de unidades
- Diferença: 1,284 milhão de operações
- Período: janeiro a agosto de 2026
Emplacamentos de novos também estão em alta
O resultado dos financiamentos aparece num momento de recuperação das vendas de zero-quilômetro. Segundo a Fenabrave, o Brasil registrou 281,3 mil emplacamentos de automóveis, comerciais leves, caminhões e ônibus em setembro de 2026. É o maior volume mensal desde dezembro de 2014 nesse recorte, apesar dos juros elevados e das dificuldades de acesso ao crédito.
As vendas avançaram 2,2% sobre agosto e 15,7% diante de setembro de 2025. Do total, cerca de 268,7 mil são automóveis e comerciais leves, como picapes e furgões. Os carros de passeio somaram aproximadamente 216,4 mil unidades, e os comerciais leves, perto de 52,4 mil. Os automóveis cresceram 21,2% sobre setembro do ano anterior, enquanto os comerciais leves recuaram 0,9%.
Setembro de 2026 é o melhor mês desde dezembro de 2014, mas não supera aquele pico histórico, quando o mercado chegou a cerca de 370 mil unidades nesse conjunto de categorias. Entre janeiro e setembro, o acumulado foi de aproximadamente 2,256 milhões de veículos, alta de 18,1% sobre o mesmo intervalo de 2025.
Os números da Fenabrave têm bases distintas. Somando motocicletas e implementos rodoviários, o total de setembro chegou a 509.686 emplacamentos. Esse valor não contradiz os 281,3 mil, que se referem apenas a automóveis, comerciais leves, caminhões e ônibus.
Incentivos sustentam o ritmo, mas o crédito segue no radar
A Fenabrave associa o avanço dos novos à maior variedade de modelos, às promoções das concessionárias e a programas como Carro Sustentável e Move Brasil. Esses fatores se somam à disputa entre marcas tradicionais e fabricantes que ampliaram sua presença no Brasil.
Mesmo assim, o setor enfrenta custos financeiros elevados. Uma campanha de desconto pode reduzir o preço inicial, mas o valor das parcelas, a taxa efetiva de juros e os serviços embutidos fazem diferença no custo final de um financiamento. Para quem pretende financiar, vale seguir alguns cuidados:
- Compare o preço total à vista com o custo efetivo total do crédito.
- Confira prazo, entrada e condições de bônus anunciados.
- Considere seguro, manutenção e despesas de documentação antes da compra.
Para o mercado brasileiro, os dois movimentos mostram que a demanda por veículos existe, tanto no zero-quilômetro quanto nos usados. O volume de financiamentos de segunda mão indica que esse segmento tem peso central no crédito automotivo. O próximo desafio será manter o ritmo no último trimestre, o que dependerá das condições de financiamento, da oferta de veículos e das campanhas comerciais de fim de ano.
