domingo, 11 de outubro de 2026

Carros modernos dificultam a instalação de sistemas de som melhores

Os fabricantes passaram a tratar o sistema de som como um forte argumento de vendas, mas a sofisticação eletrônica dos carros atuais está dificultando a vida de quem quer instalar um equipamento melhor. Recursos como o cancelamento ativo de ruído e a arquitetura integrada podem dar trabalho aos instaladores, segundo o especialista Marcello Franco Figueiredo, dono da Audio Design.

O som virou argumento de vendas

Nos últimos anos, as marcas passaram a destacar o áudio na ficha técnica. Carros acima de R$ 200 mil quase sempre trazem assinaturas de marcas famosas, e os fabricantes chineses estão em uma disputa para ver quem coloca mais alto-falantes na cabine.

Apesar disso, os audiófilos não ficam satisfeitos com os sistemas de fábrica, e o movimento nas oficinas de instalação de som segue em alta. Segundo Marcello, as modificações mais populares entre donos de carros novos são:

  • troca dos alto-falantes por peças de alta eficiência;
  • tratamento acústico;
  • instalação de amplificadores, processadores de áudio e subwoofers.

Ele afirma que a popularização dos sistemas assinados não mudou o movimento em sua loja. Na avaliação do especialista, esses projetos de fábrica usam alto-falantes comuns, e a assinatura é apenas uma certificação. Carros da Porsche com sistemas Bose e a linha Stellantis com Harman Kardon estão entre os clientes mais frequentes da oficina.

Som integrado a outras funções do carro

O sistema de som deixou de ser apenas um rádio com alto-falantes: tudo está integrado à arquitetura eletrônica do veículo. Até os sons de seta saem das caixas de som.

Em modelos mais luxuosos, o cancelamento ativo de ruído usa contrafrequências para impedir que ruídos externos entrem na cabine. Para Marcello, isso pode inviabilizar modificações. Ele cita o Volvo XC60 T8, no qual não é possível trocar os alto-falantes originais por causa dessa tecnologia.

Em alguns carros, a simulação do ronco do motor dentro da cabine também usa o sistema de som. Nesses casos, aumentar o tamanho dos alto-falantes e a potência torna o barulho insuportável, o que impossibilita a montagem. Nos BMW, ao menos, é possível desativar o sistema, mas o especialista aponta que o mesmo não acontece nos Mercedes-Benz.

Marcas chinesas e carros elétricos trazem novos desafios

O Brasil recebeu diversas marcas chinesas nos últimos anos, e com elas vieram arquiteturas eletrônicas, encaixes de peças e outros pormenores diferentes, que afetam o mercado de acessórios. Quando recebe um carro novo, Marcello pede para estudar o modelo por alguns dias, analisando o que pode ser instalado e o que a central multimídia pode proporcionar.

Nos elétricos, a questão é a energia. Eles têm uma bateria de 12 volts como os modelos a combustão. Ela não é tão potente, pois não precisa dar partida em um motor, mas alimenta a parte elétrica e os acessórios, incluindo o som. Para deixar o som mais potente, o instalador precisa conhecer a capacidade do alternador de recarregar a bateria. Em alguns projetos, é preciso usar uma bateria ou um alternador mais potente para operar um amplificador sem problemas.

Nos elétricos, a bateria é recarregada por um inversor, e Marcello diz que não conseguiu informações sobre a potência de recarga desse sistema. Por isso, já dispensou clientes com BYD Seal e Porsche Taycan para evitar problemas. Segundo ele, o BYD Seal usa uma bateria de 13 Ah, o que impossibilita a instalação de um amplificador. Como comparação, um Fiat Mobi vem com bateria de 60 Ah.

O que muda para o consumidor brasileiro

Com mais marcas, mais tecnologia embarcada e mais elétricos chegando ao país, mexer no som deixou de ser uma tarefa simples. Quem pretende melhorar o áudio de um carro moderno deve consultar um especialista e planejar o projeto com cuidado, já que o sistema de som está ligado a funções que vão muito além de tocar música.

Você também pode gostar

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *