A remuneração dos principais executivos da indústria automotiva norte-americana voltou ao centro das atenções. No ano passado, Mary Barra, CEO da General Motors, alcançou um pacote total de US$48,2 milhões, alta de 61,7% sobre os US$29,8 milhões do período anterior. Já Jim Farley, presidente da Ford, teve rendimentos de US$16,7 milhões, queda de 39,4%.
O maior pacote desde 2014
O valor recebido por Barra é o mais alto desde que ela assumiu o comando da fabricante, em 2014. O salto, porém, não veio do salário fixo: a base da executiva permanece inalterada em US$2,1 milhões anuais desde 2017. O aumento foi impulsionado pelo bom desempenho da GM nas vendas e no mercado financeiro.
Vendas e ações em alta na GM
A montadora cresceu 6% nos Estados Unidos e comercializou 2,83 milhões de veículos, superando de forma isolada os números da rival Ford. Na bolsa, as ações da GM começaram o ano negociadas abaixo dos US$52 e encerraram acima de US$83. Com essa valorização, os ganhos com opções e premiações em ações dobraram, o que explica a maior parte do avanço no pacote da CEO.
Ford e Rivian no comparativo
Do outro lado da comparação, Jim Farley viu seus ganhos encolherem. Seu pacote de US$16,7 milhões equivale a cerca de um terço do valor da concorrente direta na GM, e representa queda de 39,4% frente aos US$27 milhões reportados no ano anterior. Assim como Barra, Farley mantém o salário base estável, em US$1,7 milhão, com o restante composto por bônus e premiações em ações.
O cenário também movimentou outras marcas, como a Rivian. Circularam boatos de ganhos astronômicos para o fundador RJ Scaringe, mas apurações especializadas esclareceram que ele recebeu “apenas” US$12,3 milhões no período. Pacotes de ações adicionais só serão liberados se a empresa atingir metas agressivas de valorização na próxima década.
O que isso significa para o mercado
O caso mostra como a remuneração dos executivos nos Estados Unidos está fortemente ligada ao desempenho de vendas e ao valor das ações das montadoras. Para o consumidor brasileiro, que acompanha as marcas globais de perto, o episódio ajuda a entender o momento de GM e Ford no mercado americano. A disparidade entre os salários das cúpulas e o ritmo de reajuste da base de funcionários, por sua vez, continua gerando debates no setor.
