domingo, 11 de outubro de 2026

BYD Shark: falha em central multimídia expõe a picape a acesso remoto; fabricante prepara atualização

Uma demonstração pública na Austrália mostrou que funções da picape BYD Shark podiam ser acessadas sem senha pela central multimídia. Após o episódio, a fabricante passou a preparar uma atualização de segurança para fechar a brecha.

O que a demonstração revelou

O teste controlado foi feito por técnicos da Fortify Labs, com o objetivo de avaliar a segurança digital de carros modernos. Pela entrada encontrada na central multimídia, a equipe conseguiu acionar remotamente funções do veículo:

  • limpadores de para-brisa na velocidade máxima;
  • travamento das portas;
  • acendimento dos faróis.

O alcance do acesso, porém, não se limitou aos comandos da picape. Os técnicos também puderam acompanhar a localização exata do veículo em tempo real. Dentro da cabine, o microfone pôde ser acessado para ouvir conversas, e smartphones conectados tiveram dados expostos, entre eles contatos e histórico de chamadas.

A explicação e a resposta da BYD

Na China, a matriz da BYD definiu o problema como uma falha de software explorada por meio do Android Debug Bridge, conhecido pela sigla ADB. A ferramenta permite acessar dispositivos Android, sistema no qual se baseia o DiLink, plataforma de entretenimento instalada na Shark e também usada por modelos da BYD e da Denza.

A fabricante apresentou uma ressalva. Em seus próprios testes, o aplicativo empregado no experimento exigia contato físico com a central multimídia para confirmar a instalação. Isso não altera as funções alcançadas na demonstração, mas distingue a instalação do aplicativo dos comandos que os técnicos executaram remotamente depois de obter acesso ao sistema.

Após a repercussão, a divisão australiana da BYD abriu uma investigação interna e anunciou o desenvolvimento de códigos de segurança e atualizações de software. Segundo a empresa, a atualização vai retirar da interface do sistema de entretenimento o caminho não previsto que permitia ativar o ADB, eliminando a entrada identificada.

Outros modelos e o debate sobre cibersegurança

A Shark será a primeira a receber a mudança, mas a BYD afirma que poderá fazer correções preventivas em outros modelos de seu portfólio global. Até o momento, a correção nos demais modelos não foi confirmada.

O caso ampliou uma discussão entre especialistas em cibersegurança sobre a necessidade de avaliar a proteção digital dos veículos de maneira mais sistemática. Entre as propostas está envolver órgãos como Euro NCAP e Latin NCAP na criação de métricas específicas para essa área, seguindo a lógica das avaliações tradicionais de colisão.

O que isso significa para o mercado brasileiro

O episódio mostra que, à medida que mais funções passam pelo software, a segurança digital ganha peso na avaliação de um carro, ao lado de itens já tradicionais. Para o consumidor brasileiro, o ponto de atenção é acompanhar se a BYD estenderá as correções preventivas aos demais modelos de seu portfólio, já que essa extensão ainda não foi confirmada. Também vale observar se a proposta de incluir a cibersegurança em avaliações como as do Latin NCAP avança.

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