Uma picape desenvolvida pela Mitsubishi poderá chegar ao mercado com o emblema da Honda, marcando a entrada da fabricante japonesa em um segmento no qual atualmente não possui representantes. A novidade envolve uma versão da Mitsubishi Triton, que seria comercializada pela Honda a partir de 2028, inicialmente em países do Sudeste Asiático. O acordo, porém, ainda não foi confirmado oficialmente.
O que se sabe e o que não foi confirmado
As informações foram divulgadas em 9 de outubro pelos jornais japoneses Yomiuri e Nikkei, que apontam uma nova etapa de colaboração entre as fabricantes. A Honda ainda não confirmou o projeto, e um representante da companhia em Tóquio afirmou que nenhuma decisão dessa natureza foi anunciada.
A Mitsubishi também evitou confirmar as informações. Sua porta-voz, Shiori Akiyama, reconheceu que continuam acontecendo discussões sobre diferentes possibilidades de cooperação com Honda e Nissan, e explicou que eventuais decisões serão divulgadas no momento apropriado.
Por que a Triton seria uma mudança para a Honda
Hoje, a Honda comercializa a Ridgeline, picape construída com carroceria monobloco nos Estados Unidos. A Mitsubishi Triton, por sua vez, utiliza chassi separado da carroceria, configuração tradicional entre picapes destinadas ao transporte de cargas e à utilização em condições mais exigentes.
A Honda já comercializou uma picape com estrutura semelhante na década de 1990, quando ofereceu a Tourmaster na Tailândia, modelo fornecido pela Isuzu. Segundo o Yomiuri, a companhia também considera levar sua futura picape para outras regiões e estudar o fornecimento de modelos adicionais pela Mitsubishi. As negociações poderão incluir compras conjuntas de componentes e outras iniciativas para reduzir custos.
Para a Mitsubishi, o acordo permitiria ampliar a produção da Triton, que também serve como base para a Nissan Navara em determinados mercados. A picape é fabricada na Tailândia e registrou 82.766 unidades vendidas mundialmente em 2025, segundo a MarkLines, ante 113.565 unidades em 2022. A mesma plataforma será usada pela nova geração do Mitsubishi Pajero.
O momento da Honda e as parcerias japonesas
A aproximação acontece em um momento difícil para a Honda, que enfrenta forte queda de vendas na China: de 1,63 milhão de veículos em 2020 para 645 mil unidades em 2025, segundo a Honda Motor Investment China. A rápida expansão dos eletrificados no país e decisões relacionadas aos EVs também prejudicaram os resultados. Em maio, a empresa apresentou seu primeiro prejuízo desde a abertura de capital em 1957.
Na América do Norte, Honda e Nissan estudam colaboração que poderá envolver picapes e SUVs com chassi separado da carroceria. A Nissan prepara uma nova família desses veículos, começando pelo retorno do Xterra, previsto para aproximadamente 2028, sem confirmação de modelos para a Honda.
A cooperação avança apesar do fim das negociações de fusão. Honda e Nissan haviam anunciado em dezembro de 2024 a intenção de formar uma holding, mas as conversas terminaram em fevereiro de 2025, depois que a Honda propôs assumir o controle integral da Nissan. As empresas retomaram a parceria estratégica estabelecida em março de 2024.
O que isso significa para o Brasil
O plano citado pelos jornais japoneses prevê, inicialmente, o Sudeste Asiático, e não há menção ao mercado brasileiro. Ainda assim, o movimento mostra como a Honda busca ampliar sua linha internacional sem desenvolver uma picape completamente nova, caso a parceria envolvendo a Triton seja concretizada.
