quarta-feira, 7 de outubro de 2026

Fim de uma era? Carros só a gasolina viram minoria nas vendas globais

Pela primeira vez, os carros movidos exclusivamente a gasolina deixaram de ser a maioria das vendas no mundo. No primeiro semestre de 2026, eles responderam por 49% do mercado global, contra 73% cinco anos atrás. Ao mesmo tempo, os híbridos já vendem mais do que os elétricos puros.

Carro só a gasolina cai abaixo de 50%

Entre janeiro e junho, foram vendidos 20,25 milhões de carros somente a gasolina no mundo, queda de 10% em relação ao mesmo período de 2025. O número de 49% é simbólico: é a primeira vez que esse tipo de conjunto mecânico fica abaixo da metade das vendas globais, algo difícil de imaginar até poucos anos atrás, quando dominava com folga praticamente todos os grandes mercados.

Em 2021, os modelos sem qualquer eletrificação respondiam por 73% das vendas mundiais. A perda, portanto, foi de 24 pontos percentuais em cinco anos.

O movimento não foi igual em todas as regiões. Ele é bem mais acelerado onde híbridos e elétricos já conquistaram mais espaço:

  • Na China, a retração dos modelos sem eletrificação foi de aproximadamente 26% no primeiro semestre.
  • Na Europa, a queda chegou a cerca de 13%.
  • Ambos os números ficam bem acima da queda global de 10%.

Em mercados onde a eletrificação avança mais devagar, os carros tradicionais seguem com uma parcela bem maior das vendas.

Vale separar as coisas antes de decretar a morte do motor a combustão. Os 49% consideram apenas veículos exclusivamente a gasolina, deixando híbridos convencionais, híbridos plug-in e elétricos em categorias próprias. Muitos dos carros contabilizados fora desse grupo continuam com um motor térmico sob o capô.

Híbridos já vendem mais que elétricos

Enquanto os modelos só a gasolina encolheram, os eletrificados seguiram avançando por caminhos diferentes:

  • Os 100% elétricos chegaram a 6,87 milhões de unidades no semestre, alta de 12% na comparação anual, com cerca de 17% do mercado mundial.
  • Os híbridos somaram 7,27 milhões de veículos, avanço de 10% e fatia de 18%, o que os coloca ligeiramente à frente dos elétricos puros.

O resultado indica que a transição não ocorre apenas pela troca direta do motor a combustão pela bateria, mas também pela expansão de soluções intermediárias. Esse movimento aparece nas vendas das próprias fabricantes: a Hyundai registrou crescimento de seus híbridos ao longo de 2026, acompanhando a procura por um meio-termo entre o carro só a gasolina e o elétrico puro.

É aí que está uma das maiores mudanças do mercado atual. Consumidores que ainda não querem depender exclusivamente da recarga elétrica encontram nos híbridos uma forma de reduzir o uso de combustível sem abandonar a praticidade do motor a combustão.

China e Europa puxam a mudança

China e Europa são alguns dos principais responsáveis pela transformação, apoiadas por uma oferta muito maior de veículos eletrificados, incentivos locais e regulamentações que pressionam as fabricantes a reduzir emissões e ampliar suas linhas híbridas e elétricas.

Na Europa, houve outro marco em dezembro de 2025, quando os elétricos puros superaram os carros exclusivamente a gasolina nas vendas daquele mês, e a participação dos modelos plug-in continuou crescendo desde então. A BMW trabalha com a meta de ter metade de sua gama formada por elétricos até 2030, o que mostra como as fabricantes tradicionais também reorganizam seus portfólios.

Na China, a transformação é ainda mais rápida, impulsionada pela enorme oferta de modelos eletrificados de marcas locais e estrangeiras e por uma disputa de preços que tornou híbridos plug-in, elétricos e veículos com extensor de autonomia cada vez mais acessíveis.

Ainda não dá para decretar o fim da gasolina

O resultado considera apenas os seis primeiros meses de 2026 e não garante que os carros exclusivamente a gasolina terminarão o ano abaixo de 50%. Preços dos combustíveis, incentivos, novos lançamentos e mudanças na demanda podem alterar essa divisão no segundo semestre.

Ainda assim, sair de 73% do mercado em 2021 para 49% em 2026 é uma transformação difícil de ignorar, sobretudo porque híbridos e elétricos crescem ao mesmo tempo em que os modelos puramente a gasolina perdem participação.

O que isso significa para o mercado brasileiro

Para o consumidor e para o setor no Brasil, o recado é que a eletrificação segue em expansão, e não só pela via dos elétricos puros. O motor a combustão continua longe de acabar, mas o carro que depende somente dele já não ocupa sozinho o centro do mercado mundial. O avanço dos híbridos, que oferecem uma solução intermediária, é um sinal a ser acompanhado de perto por quem acompanha o mercado nacional.

Você também pode gostar

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *