A maré dos SUVs pode estar encontrando resistência nos Estados Unidos, onde os sedãs voltaram a registrar avanços expressivos nas vendas de várias marcas. Os números de setembro mostram crescimento para quase todos os modelos generalistas ainda disponíveis, sugerindo uma mudança que vai além do desempenho isolado de uma fabricante.
Toyota, Honda e Mazda lideram a retomada
O Toyota Camry é um dos exemplos mais importantes. Depois de passar anos como automóvel mais vendido do país fora das grandes picapes, antes da ascensão do RAV4, o sedã voltou a ganhar força: entre janeiro e setembro, as vendas cresceram 11,2% sobre 2025, chegando a 260.284 unidades e colocando o modelo novamente à frente do RAV4. Somente em setembro, a Toyota vendeu 25.350 Camry, avanço de 3,4%, enquanto o Corolla cresceu 4,9%, para 19.365 unidades no mês. No acumulado do ano, o Corolla sobe 8,4%, embora seus números incluam outras carrocerias além do sedã.
A Honda também acompanha o movimento, principalmente com o Accord, cujas vendas avançaram 32,7% no ano, alcançando 145.521 unidades. Em setembro, o crescimento foi de 27,7%, com 15.507 exemplares. O Civic subiu 8,4% no mês e cresce 5,4% no acumulado, mantendo pequena vantagem sobre o Accord. Até a Acura participa da tendência: o Integra acumula alta de 37,3%, para 20.100 unidades, apesar da queda mensal de 1.567 para 1.541.
A Mazda registrou um dos saltos mais expressivos. O Mazda3 sedã avançou 167,9% em setembro e alcançou 2.794 unidades. A carroceria hatch aumentou 99,1%, enquanto o sedã cresce 30,8% no ano e a linha completa sobe 42,3%, para 32.486 unidades.
Coreanas, Dodge, Subaru e premium: resultados variados
Entre as sul-coreanas, o Hyundai Elantra chegou a 13.902 unidades em setembro, alta de 1%, além de crescer 18% no terceiro trimestre. O modelo acumula avanço de 11% no ano, enquanto o Sonata subiu 39% em setembro e 18% no acumulado. A Kia também cresceu, com o K4 avançando cerca de 43%, para 12.658 unidades, e o K5 subindo 14,7%, para 6.070.
Esses resultados chamam atenção porque Ford e General Motors abandonaram o segmento, deixando menos concorrentes em uma categoria que agora mostra nova força comercial.
A Dodge registra sinais de recuperação entre seus carros, embora o Charger Daytona elétrico tenha despencado 92%, para somente 233 unidades no último trimestre. A versão a gasolina do Charger seguiu caminho oposto, aumentando 1.348% e chegando a 3.446 unidades no terceiro trimestre, ainda distante dos antigos volumes. A Subaru também teve um setembro forte: o WRX cresceu 166%, para 1.703 unidades, e acumula alta de 47,8% neste ano.
O movimento alcança algumas marcas premium, com o BMW Série 3 avançando 46,4% no terceiro trimestre e o Lexus IS crescendo 55,8%. O IS também acumula alta de 51,8% no ano. Os sedãs de luxo, porém, apresentam resultados muito menos uniformes que os generalistas. Na BMW, o Série 5 caiu 20,6% e o Série 7 recuou 10,1%, enquanto Mercedes-Benz e Audi ainda não divulgaram seus números. A Cadillac viu o CT4 cair 44,2%, enquanto o CT5 cresceu 4,1%, embora ainda recue 2% no ano, com 11.924 unidades. Os dois sedãs da marca deixarão a linha ao final de 2026. A Alfa Romeo continua enfrentando dificuldades com o Giulia, que caiu 47%, registrando apenas 151 unidades no período e 670 no acumulado.
Nem todos os sedãs acompanham a alta
Entre os modelos mais acessíveis, o Nissan Sentra vendeu 36.890 unidades no trimestre, queda de 8,3%, e recua 10,6% no ano. O Altima permaneceu praticamente estável, enquanto o Toyota Prius caiu 16,9% em setembro e 37,5% no acumulado, diante da força do Corolla híbrido.
Uma explicação possível está no orçamento das famílias: sedãs normalmente custam menos, consomem menos combustível e usam componentes como pneus mais baratos. Eles também continuam atendendo às necessidades de muitas famílias, oferecendo espaço suficiente sem obrigar o consumidor a migrar para SUVs maiores e mais caros.
Para o mercado brasileiro, onde os sedãs também perderam espaço para os SUVs, o recado é de atenção: os números americanos ainda não garantem uma volta em massa das fabricantes ao segmento, mas, se a tendência continuar, os sedãs podem voltar a ser difíceis de ignorar.
