Um ano depois de chegar ao Quênia, o Uber Safari enfrenta resistência de guias locais e tem registrado poucas reservas. O serviço leva passageiros para passeios guiados em veículos 4×4 no Parque Nacional de Nairóbi. Para evitar conflitos, a Uber retirou o logotipo da marca das laterais dos carros usados nas excursões, segundo reportagem do jornal americano The Wall Street Journal.
Como funciona o Uber Safari
Lançado em setembro de 2025, como parte das comemorações de dez anos da Uber no Quênia, o serviço permite agendar pelo aplicativo excursões de três horas, durante o dia ou à noite. Os passeios são feitos em utilitários Land Cruiser conduzidos por guias credenciados.
O Quênia foi o segundo país a receber a modalidade, depois da África do Sul. A iniciativa faz parte de um portfólio de experiências turísticas que já incluiu voos de balão na Capadócia, na Turquia, e passeios de trenó na Lapônia, na Finlândia.
A proposta da empresa é atrair viajantes a negócios que passam poucos dias na capital, turistas e moradores da cidade que nunca visitaram o parque.
Preços e o parque
Os passeios diurnos partem de cerca de R$ 780 (US$ 150) e os noturnos custam em torno de R$ 1.560 (US$ 300). Os valores são cobrados por veículo, que leva até sete pessoas de dia e até cinco à noite. Guias tradicionais cobram até cerca de R$ 1.010 (US$ 195) por meio período. Em ambos os casos, turistas de fora da África ainda pagam a taxa de entrada no parque, de cerca de R$ 415 (US$ 80).
O Parque Nacional de Nairóbi se destaca pela proximidade incomum com a área urbana e com os dois aeroportos da capital queniana. Em cerca de 117 km² de savana, abriga espécies como leões, zebras, girafas e rinocerontes, o que permite aos visitantes fotografar os animais tendo os prédios da metrópole como pano de fundo.
A resistência dos guias
Felix Migoya, presidente da Associação de Guias e Motoristas de Turismo da África Oriental, que representa cerca de 1.000 guias em Nairóbi, afirmou ao jornal que o serviço foi um fracasso desde o primeiro dia. Segundo ele, a associação orientou os membros a não trabalharem com a Uber, e nenhum guia teve coragem de circular com os adesivos da empresa por medo da reação dos colegas.
Boa parte da rejeição inicial, de acordo com o Journal, surgiu da crença equivocada de que a Uber colocaria motoristas comuns de aplicativo dentro do parque, no lugar de guias certificados com veículos preparados para o terreno. A Autoridade Reguladora do Turismo do Quênia esclareceu depois que o serviço usaria apenas guias licenciados e veículos aprovados.
Imran Manji, gerente-geral da Uber na África Oriental, disse que a retirada do logotipo foi uma decisão de segurança. Segundo ele, o primeiro ano foi consumido em grande parte por problemas operacionais, como manter a conexão dos motoristas em áreas remotas do parque e atender às exigências específicas dos passeios noturnos.
O que isso significa para o mercado
O caso mostra como a expansão de plataformas de mobilidade para o turismo pode esbarrar em categorias profissionais estabelecidas, mesmo quando as regras locais permitem a operação. Para o mercado brasileiro, onde a Uber também disputa espaço com serviços tradicionais, o episódio serve de exemplo dos desafios de diversificar além do transporte urbano: a aceitação de quem já atua no setor pesa tanto quanto a tecnologia e o preço.
