A divisão esportiva da Volkswagen na África do Sul estreou, no domingo (26), o Golf mais potente já construído pela operação local: um hatch de cerca de 1.000 cv preparado exclusivamente para provas de subida de montanha. Apelidado de "Mega Golf" pela própria montadora, o carro ficou entre os três mais rápidos nos treinos e na classificação do Top of the Hill Challenge, mas problemas típicos de um projeto recém-concluído tiraram o piloto da final.
Um Golf que só se parece com o GTI
A designação oficial é Volkswagen Motorsport Hillclimb Golf 8.5 GTI. O projeto foi construído por Michael Allers para marcar os 75 anos de operação da marca no país africano. Apesar do nome, não há nada de carro de rua aqui: não existe qualquer homologação para uso em vias públicas. Trata-se de um monoposto com carroceria em fibra de carbono e gaiola de proteção integrada à estrutura.
O pacote aerodinâmico reúne splitter dianteiro, defletores laterais, para-lamas alargados e asa traseira fixada por suportes em pescoço de cisne. Os freios são AP Racing, as rodas de corrida têm 18 polegadas e os pneus slick são Michelin.
Motor da Audi e tração nas quatro rodas
Embora tenha nascido de um GTI, o hatch abandonou o quatro-cilindros 2.0 turbo de fábrica para receber o cinco-cilindros 2.5 turbo da Audi, o mesmo do RS3. Na versão de rua, esse propulsor entrega cerca de 400 cv. Aqui, a potência foi mais que dobrada com:
- turbocompressor maior, operando com pressões mais altas;
- componentes internos forjados, fornecidos pela alemã Bar-Tek;
- admissão em fibra de carbono;
- escapamento que sai pelo para-choque dianteiro;
- gerenciamento eletrônico da Motec.
Segundo a Volkswagen, o conjunto chega a cerca de 1.000 cv, quase três vezes o que produz o Golf GTI vendido no Brasil, de 265 cv e 37,7 kgfm. A fabricante não divulgou o torque do carro de competição. A força passa por um câmbio sequencial Sadev ST4-917 e chega às quatro rodas, arquitetura que o GTI de rua não oferece.
A estreia em Zwartkops
O Mega Golf debutou na terceira edição do Top of the Hill Challenge, disputada ao longo de dois dias e reunindo mais de 75 carros, no autódromo de Zwartkops, nos arredores de Pretória. O percurso tem 2 km e é encarado no sentido inverso ao habitual do autódromo, com largada na curva 4. Mogotsi entrou no ritmo desde os primeiros treinos, mas a equipe optou por recolher o carro antes da decisão.
"O carro mostrou um enorme potencial e entrou imediatamente entre os três primeiros nos treinos e na classificação", disse Mike Rowe, chefe da Volkswagen Motorsport. "Infelizmente, alguns problemas de carro novo impediram Jonathan de disputar a final." A montadora não detalhou a origem da falha, e a estreia já havia sido adiada uma vez por atraso na entrega de peças.
O que isso significa para o Brasil
O Mega Golf não chega às ruas e não tem relação direta com a linha vendida por aqui, mas serve de vitrine do que a Volkswagen consegue fazer a partir da base do Golf GTI. Para o entusiasta brasileiro, a comparação com o GTI nacional, de 265 cv, mostra a distância entre um esportivo de série e um protótipo de competição pensado para um único objetivo: subir a montanha o mais rápido possível.
