Quem acompanhou o Grande Prêmio da Hungria, no domingo (26), talvez tenha estranhado o safety car da Fórmula 1 — não pelo que ele ganhou, mas pelo que perdeu. A barra luminosa com "giroflex" no teto, marca registrada dos carros de segurança há décadas, desapareceu. No lugar dela, a Mercedes-AMG integrou os LEDs diretamente na carroceria.
Onde ficam as luzes agora
Os LEDs foram embutidos no aerofólio traseiro, ao lado das câmeras usadas pela FIA. É de lá que saem os sinais para os pilotos:
- laranja indica que ultrapassagens estão proibidas;
- verde autoriza a passagem pelo safety car.
Na dianteira, luzes adicionais foram distribuídas no para-choque e nos próprios faróis.
Por que a mudança importa
A alteração pode parecer um detalhe, mas tem efeito prático. A barra luminosa sempre foi um item avulso, parafusado no teto de um carro de rua. A solução era funcional, mas adicionava peso e arrasto justamente no ponto mais alto da carroceria, em um veículo que precisa abrir pista rápido para não atrasar o pelotão.
Com os LEDs embutidos, o safety car passa a parecer menos um carro adaptado às pressas e mais um projeto pensado desde o início.
Base mecânica e comemoração
A estreia na Hungria não foi por acaso: coincidiu com os 30 anos da Mercedes-AMG como fornecedora oficial do Safety Car da Fórmula 1. A base é o Mercedes-AMG GT 63 Pro 4Matic+, que recebeu pintura comemorativa em preto e vermelho.
Segundo a marca, é o primeiro safety car oficial da categoria com tração integral — os antecessores mais recentes mandavam toda a força para o eixo traseiro. A mecânica é conhecida: V8 4.0 biturbo com 612 cv e 86,7 kgfm de torque, suficiente para 317 km/h de velocidade máxima. São números que fazem sentido para um carro que precisa acompanhar monopostos de F1 em ritmo reduzido sem virar obstáculo.
Combustível e calendário
Há ainda um detalhe simbólico: o combustível do Safety Car tem 40% de componentes sustentáveis. É um passo, mas ainda distante dos carros que ele lidera na pista, já que, desde este ano, por regulamento, os monopostos da Fórmula 1 rodam com combustível 100% sustentável.
A Hungria fechou a primeira metade da temporada 2026, com vitória de Lando Norris na etapa. Com a pausa de verão europeia, o safety car reestilizado só volta a aparecer no fim de agosto.
Para o mercado brasileiro, o caso mostra como a integração de iluminação à carroceria, a tração integral e os combustíveis com componentes sustentáveis seguem ganhando espaço na vitrine mais visível do automobilismo, ainda que a matéria-fonte não trate de lançamentos ou preços para o Brasil. E, como sempre, quem torce para ver o safety car em ação está torcendo pelo motivo errado.
