terça-feira, 28 de julho de 2026

Estados Unidos podem seguir a China e proibir carros com maçanetas retráteis por questões de segurança

Os Estados Unidos deram o primeiro passo para acabar com as maçanetas retráteis, que só funcionam com energia elétrica saltando a alça para fora da carroceria. Isso porque a NHTSA, agência federal de segurança viária, anunciou na quinta-feira (23) que vai abrir um processo de regulamentação para exigir um “sistema de projeção da maçaneta robusto e óbvio” em todos os carros novos vendidos no país.

A medida não se limita à Tesla, cujas maçanetas embutidas motivaram o caso: valeria para qualquer fabricante que ainda use o desenho. Segundo a Bloomberg, cerca de 70 modelos à venda nos Estados Unidos hoje têm maçanetas retráteis elétricas.

Por que a proibição entrou na pauta

O problema aparece quando o carro perde energia. Em uma batida seguida de incêndio, o botão elétrico simplesmente não responde. Esses carros têm um acionamento mecânico de emergência, mas ele costuma ficar escondido, sem sinalização e em posições que o motorista nunca procurou — quando existe nas quatro portas.

As maçanetas retráteis se tornaram uma escolha popular nos carros mais novos, principalmente elétricos. A peça embutida na carroceria permite design mais fluido do veículo, além de melhorar a aerodinâmica. Por outro lado, alguns acidentes com esses carros tiveram desfecho trágico: por vezes, a falta de energia elétrica após a colisão fazia a maçaneta ficar recolhida, impedindo o acesso de socorristas aos ocupantes. Houve até caso de incêndios internos que só viraram fatalidades porque os voluntários no resgate não conseguiram remover os acidentados de dentro do carro. Em alguns casos, os veículos até tinham mecanismos para liberação emergencial da porta, mas eram desconhecidos pelos socorristas ou muito confusos.

Carro com maçanetas retráteis
Algumas maçanetas retráteis só funcionam com energia elétrica, tornando-as ainda mais problemáticas em emergências (Foto: Mercedes-Benz | Divulgação)

Uma investigação da Bloomberg apontou pelo menos 15 mortes na última década em acidentes nos quais ocupantes ou socorristas não conseguiram abrir as portas de Teslas que bateram e pegaram fogo, além de cerca de 140 relatos de pessoas presas dentro do veículo.

Abrir o processo, entretanto, não significa que a norma vai existir. No mesmo despacho, a agência negou o pedido de investigação de defeito feito em novembro de 2025 pelo engenheiro Kevin Clouse, que escapou de um Model 3 em chamas quebrando o vidro traseiro. O motivo: a norma federal FMVSS 206 não regula a posição nem a identificação do acionamento mecânico. Processos desse tipo levam de dois a cinco anos, e a exigência dificilmente valeria antes de 2030.

A China proibiu primeiro, e pelo mesmo motivo

Enquanto os norte-americanos discutem, a China já decidiu. Publicada em 28 de janeiro deste ano, a norma GB 48001-2026 entra em vigor em 1º de janeiro de 2027 e obriga, em todos os carros vendidos no país, que as porta, exceto a tampa do porta-malas, tenham maçaneta mecânica por dentro e por fora. Cada maçaneta externa precisa deixar um vão livre para a mão de no mínimo 6 cm x 2 cm x 2,5 cm em qualquer situação, o que inviabiliza o desenho totalmente embutido.

O gatilho foi o mesmo: acidentes com elétricos em que ninguém conseguiu abrir a porta. Modelos novos cumprem a norma já em 2027; os já homologados ganham prazo extra. Hong Kong, que legisla à parte, também se move para barrar elétricos sem acionamento mecânico.

No Brasil não há, até agora, sinalização de exigência semelhante. Mas, como boa parte dos elétricos vendidos aqui é projetada na China, a norma de lá tende a chegar por aqui nos modelos redesenhados.

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