segunda-feira, 12 de outubro de 2026

Estados Unidos podem seguir a China e proibir carros com maçanetas retráteis por questões de segurança

Os Estados Unidos deram o primeiro passo para acabar com as maçanetas retráteis, aquelas que só funcionam com energia elétrica e saltam para fora da carroceria. A NHTSA, agência federal de segurança viária, anunciou na quinta-feira (23) que vai abrir um processo de regulamentação para exigir um "sistema de projeção da maçaneta robusto e óbvio" em todos os carros novos vendidos no país.

Uma regra que vai além da Tesla

As maçanetas embutidas da Tesla motivaram o caso, mas a medida não se limita à marca: valeria para qualquer fabricante que ainda use o desenho. Segundo a Bloomberg, cerca de 70 modelos à venda nos Estados Unidos hoje têm maçanetas retráteis elétricas.

Esse tipo de peça se tornou uma escolha popular nos carros mais novos, principalmente nos elétricos. Embutida na carroceria, ela permite um design mais fluido e ajuda a melhorar a aerodinâmica.

O problema quando o carro perde energia

O risco aparece quando falta eletricidade. Em uma batida seguida de incêndio, o botão elétrico simplesmente não responde. Esses carros têm um acionamento mecânico de emergência, mas ele costuma ficar escondido, sem sinalização e em posições que o motorista nunca procurou, quando existe nas quatro portas.

Alguns acidentes tiveram desfecho trágico: a falta de energia após a colisão deixava a maçaneta recolhida e impedia o acesso de socorristas aos ocupantes. Houve casos de incêndios internos que só viraram fatalidades porque os voluntários do resgate não conseguiram retirar as vítimas. Em certos casos, o mecanismo de liberação existia, mas era desconhecido pelos socorristas ou confuso demais.

Uma investigação da Bloomberg apontou pelo menos 15 mortes na última década em acidentes nos quais ocupantes ou socorristas não conseguiram abrir as portas de Teslas que bateram e pegaram fogo, além de cerca de 140 relatos de pessoas presas dentro do veículo.

Abrir o processo não garante a norma

Iniciar a regulamentação não significa que a regra vai existir. No mesmo despacho, a agência negou o pedido de investigação de defeito feito em novembro de 2025 pelo engenheiro Kevin Clouse, que escapou de um Model 3 em chamas quebrando o vidro traseiro. O motivo: a norma federal FMVSS 206 não regula a posição nem a identificação do acionamento mecânico.

Processos desse tipo levam de dois a cinco anos, e a exigência dificilmente valeria antes de 2030.

A China já decidiu

Enquanto os norte-americanos discutem, a China já definiu sua regra. Publicada em 28 de janeiro deste ano, a norma GB 48001-2026 entra em vigor em 1º de janeiro de 2027 e obriga que todas as portas dos carros vendidos no país, exceto a tampa do porta-malas, tenham maçaneta mecânica por dentro e por fora. Cada maçaneta externa precisa deixar um vão livre para a mão de no mínimo 6 cm x 2 cm x 2,5 cm em qualquer situação, o que inviabiliza o desenho totalmente embutido.

O gatilho foi o mesmo: acidentes com elétricos em que ninguém conseguiu abrir a porta. Modelos novos cumprem a norma já em 2027, e os já homologados ganham prazo extra. Hong Kong, que legisla à parte, também se move para barrar elétricos sem acionamento mecânico.

O que muda para o Brasil

No Brasil não há, até agora, sinalização de exigência semelhante. Mas, como boa parte dos elétricos vendidos aqui é projetada na China, a norma de lá tende a chegar por aqui nos modelos redesenhados.

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