O número de financiamentos de veículos no Brasil do primeiro semestre de 2026 atingiu um número que não era visto há 18 anos. As vendas financiadas somaram 3,78 milhões de unidades no período, entre novos e usados, considerando automóveis leves, motos e veículos pesados. Trata-se do maior volume para os primeiros seis meses do ano desde 2008, quando foram registrados 4,23 milhões de contratos. Os dados são da Trillia, braço da B3 dedicado à análise de dados.
O crescimento no volume chama a atenção pelo fato de ocorrer diante de taxas de juros elevadas no país. Com a Selic a 14,25% ao ano, as taxas para aquisição de carros giram entre 25% e 30% anuais. Ainda assim, o cenário não desmotivou os compradores. Na prática, a alta nos financiamentos é explicada pela maior oferta de crédito por parte das instituições financeiras.
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“Os dados do primeiro semestre mostram um avanço relevante do crédito para a compra de veículos, em um mercado que vem se tornando mais organizado e transparente, com instrumentos de proteção como o Sistema Nacional de Gravames. A maior previsibilidade para bancos e financeiras por meio de dados ajuda a explicar o melhor início de ano em financiamentos desde 2008”, afirma Thiago Gaspar, superintendente de relacionamento com clientes da Trillia.
O Sistema Nacional de Gravames (SNG) é uma plataforma privada que gerencia as restrições financeiras de veículos dados como garantia em operações de crédito. Exigida pelo Banco Central, a ferramenta garante mais agilidade e segurança à concessão de crédito em todo o país, de acordo com a B3.
Continua após a publicidade“O financiamento cresce com base em informação e análise de risco. Instituições financeiras têm usado dados mais granulares para avaliar o perfil dos clientes, calibrar prazos e limites e ajustar políticas de concessão, o que contribui para um ciclo de crédito mais saudável em autos leves, motos e pesados”, completa Gaspar.
Raio-x dos financiamentos

Os veículos usados representam a maior fatia das transações. No acumulado de janeiro a junho de 2026, eles responderam por 2,38 milhões de unidades financiadas, enquanto os modelos novos somaram 1,39 milhão. No mesmo período de 2025, os volumes foram de 2,18 milhões e 1,22 milhão, respectivamente.
Continua após a publicidadeAutomóveis e comerciais leves continuam dominando os contratos. Apenas em junho de 2026, o segmento registrou 434.000 unidades financiadas, uma alta de 11,9% ante as 388.000 de junho do ano anterior. Na comparação com maio de 2026, no entanto, houve uma retração de 2,6%.
No acumulado do semestre, o prazo médio dos contratos de leves foi de 47,2 meses, contra 46,3 meses no ano anterior. O alongamento dos prazos ocorreu em todas as faixas de uso: para veículos entre quatro e oito anos, a média passou de 50 para 51,3 meses. Já para os modelos de até três anos, saltou de 49,4 para 51,6 meses.
No recorte regional, o Sudeste concentrou 42,1% das operações no semestre, seguido por Sul (20%), Nordeste (19,6%), Centro-Oeste (10,8%) e Norte (7,5%). O Centro-Oeste, no entanto, foi a região com maior crescimento proporcional (13,1%) em relação a 2025, superando Nordeste (12,6%), Sul (11,2%), Sudeste (10,6%) e Norte (4,4%).
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