A BYD concluiu as obras civis do complexo industrial de Camaçari (BA) e iniciou os testes operacionais avançados nos novos galpões de soldagem e pintura, etapa considerada importante para a nacionalização da produção da marca no Brasil. Para essas estruturas, já foram contratados mais de 1.100 profissionais, que estão em treinamento. A informação foi divulgada a um ano da inauguração da fábrica.
Galpões de soldagem e pintura entram na fase final
O ritmo acelerado de montagem dos galpões entra agora em sua fase final, de forma simultânea às obras do galpão de estamparia. Quando concluído, ele completará a estrutura fabril necessária para a produção nacionalizada.
Com esse avanço, a BYD se aproxima do planejamento de cumprir a meta de nacionalização da produção industrial no Brasil até o início de 2027.
Em declaração, Alexandre Baldy, vice-presidente sênior da BYD do Brasil e head comercial e de marketing da BYD Auto do Brasil, afirmou: "O mercado tradicional dizia que a BYD no Brasil seria apenas uma montadora de peças importadas e que a eletrificação demoraria décadas para virar realidade em escala nacional. Estavam completamente enganados".
Mais contratações até o fim de 2026
Baldy também detalhou o plano de força de trabalho. Até o final de 2026, serão contratados mais 500 colaboradores diretos para as equipes de soldagem, estamparia e pintura, que se juntarão aos profissionais já contratados.
Segundo o executivo, "esse contingente nos possibilitará iniciar o ano de 2027 em transição acelerada para a etapa de produção nacional. Nossa meta, que antes parecia muito ousada, está muito próxima de ser entregue".
Os números da operação
A trajetória de contratações desde a inauguração foi acelerada:
- 60 dias para alcançar os primeiros mil colaboradores diretos;
- 3 mil colaboradores seis meses depois, número que triplicou em relação ao anterior;
- 5,5 mil trabalhadores com 250 dias de operação;
- 9 mil postos de trabalho atualmente.
A empresa é hoje o segundo maior empregador do setor industrial da Bahia, e 90% dos funcionários são baianos, a maioria de Camaçari. A meta é fechar 2026 com pelo menos 10 mil colaboradores diretos, com a implementação do terceiro turno ainda em 2026. Ao todo, o projeto prevê até 20 mil empregos diretos e indiretos em plena operação.
Capacidade e modelos produzidos
A produção começou em outubro de 2025 com um único turno e evoluiu para o segundo turno no primeiro trimestre de 2026. Atualmente, saem da planta o Dolphin Mini, o King, o Song Pro e o Atto 2, que simbolizam, segundo a BYD, uma produção cada vez mais nacionalizada.
A capacidade atual é de 150 mil veículos por ano, patamar que saltará para 300 mil. A projeção de longo prazo, assumida pelo CEO global Wang Chuanfu durante a inauguração, é alcançar 600 mil carros por ano, volume voltado tanto ao mercado nacional quanto à exportação. O investimento no complexo soma R$ 5,5 bilhões, em uma área de 4,65 milhões de m², o que faz dele o maior complexo industrial da BYD fora da China.
Para o mercado brasileiro, a conclusão dos galpões de soldagem e pintura, somada à futura estamparia, indica que a BYD caminha para produzir localmente com maior grau de nacionalização, com meta fixada para o início de 2027. Se confirmado, o movimento reforça a presença da marca no país e consolida a Bahia como polo da eletrificação no Brasil.
