Quinze anos depois de disputar sua última corrida na Fórmula 1, Rubens Barrichello vai voltar ao cockpit do Williams FW33, o carro com o qual encerrou sua carreira na categoria em 2011. O reencontro será em Interlagos, no dia 8 de novembro, antes da largada do GP de São Paulo. A seleção do dia também traz um BMW Série 3 Compact de quatro portas que nunca foi produzido, a crítica da Alfa Romeo às telas nos carros, o Cyber Tyre da Pirelli, a nova Ram 2500 Laramie Night Edition e um Porsche 911 feito em homenagem a Martin Brundle.
Rubinho e a "Volta Histórica" em Interlagos
A iniciativa foi batizada de Volta Histórica e faz parte das comemorações dos 45 anos de carreira de Rubinho, com apoio da ALE Combustíveis. O piloto terá aproximadamente dez minutos de pista com o Williams equipado com o motor Cosworth V8 aspirado de 2,4 litros.
A escolha do carro tem um significado especial. Rubinho disputou sua última corrida de F1 no GP do Brasil de 2011, terminando em 14º lugar com a FW33, em uma temporada particularmente ruim para a Williams, que marcou apenas cinco pontos no campeonato inteiro. Ele ainda tentou voltar ao grid em 2012 e chegou perto de disputar o GP do Brasil de 2014 pela Caterham, mas os problemas financeiros da equipe impediram o retorno.
"Eu não achava que seria o último adeus quando saudei meu público em Interlagos em 2011. E ainda bem que não foi", disse Rubinho ao anunciar o evento. Ele também prometeu: "Quero rasgar a reta de Interlagos com vocês".
O BMW Série 3 Compact de quatro portas que ficou no protótipo
A BMW revelou uma variante de quatro portas do E36 Compact que jamais chegou à linha de produção, mas ganhou um protótipo funcional. A BMW Classic, departamento de clássicos da marca, deixou o pessoal do canal Retro Garage ver o carro de perto.
- É um exemplar da versão 316i, a mais básica da época, com motor quatro-cilindros de 1,6 litro e 102 cv.
- O ponto de partida foi um sedã, que teve a traseira encurtada e recebeu a tampa traseira do hatchback.
- O console central traz os comandos dos vidros das quatro portas, mas os traseiros são de manivela.
- Segundo a BMW, o carro era originalmente verde "Boston Green" e depois recebeu a pintura vermelha "Hellrot" que exibe até hoje.
O motivo principal de o modelo nunca ter sido produzido provavelmente foi o custo: a BMW já queria gastar o mínimo possível com o hatchback, a ponto de aproveitar diversos componentes da geração E30, como a suspensão traseira por braços semi-arrastados e boa parte do interior.
Alfa Romeo, Pirelli, Ram e Porsche
A Alfa Romeo entrou no movimento contra o excesso de telas sensíveis ao toque. Segundo Alejandro Mesonero-Romanos, chefe de design da marca desde 2021, a indústria exagerou: "Estamos meio que numa guerra por centímetros de tela, e para mim isso não faz sentido nenhum". Ele também apontou a durabilidade: em alguns anos, as telas ficam obsoletas e começam a custar dinheiro. O conceito Cuorerosso, supervisionado por ele, dispensa a central multimídia tradicional e traz só uma pequena tela no console central que desaparece quando não é usada, ao lado de comandos físicos. Seu quadro de instrumentos reinterpreta o cannochiale, com dois mostradores digitais que podem se reorganizar em uma única tela.
Já o Cyber Tyre, apresentado pela Pirelli em 2019, foi testado pela revista britânica evo. Em pista molhada, o carro equipado com o sistema precisou de 5,7 metros a menos para parar em uma frenagem de aproximadamente 110 km/h a zero, em comparação com o mesmo carro com pneus equivalentes sem o sistema conectado. Cada pneu tem um sensor interno que coleta pressão, temperatura, desgaste, carga e nível de aderência, e envia os dados em tempo real à central eletrônica, que ajusta ABS, controle de estabilidade e controle de tração. A evo também notou diferença em curvas molhadas, com o carro mantendo a trajetória por mais tempo antes do subesterço.
No Brasil, a Ram 2500 ganhou a versão de topo Laramie Night Edition, com acabamento escurecido no lugar dos elementos cromados (grade, retrovisores, estribos, rodas de 18 polegadas e emblemas), para-choques na cor da carroceria, entrada de ar central no capô e interior em couro preto. Os equipamentos são os mesmos da Laramie, assim como o powertrain: turbodiesel Cummins de 6,7 litros com 436 cv e 148,7 kgfm, câmbio ZF TorqueFlite de oito marchas e seletor entre 4×2, 4×4 e 4×4 reduzida. A capacidade de carga é de 1.287 kg e a de reboque, de até 8.948 kg. A versão custa R$ 569.990, exatos R$ 10.000 a mais que a Laramie comum, de R$ 559.990.
Por fim, a Gunther Werks criou o Brundle Edition Turbo, um Porsche 911 baseado no 993 em homenagem a Martin Brundle. O carro tem motor de 4,0 litros com dois turbos, 872 cv e 84,4 kgfm, câmbio manual de seis marchas e tração traseira. O visual foi desenhado por Charlie Brundle, filha do piloto e designer que já trabalhou para McLaren, Aston Martin e Jaguar Land Rover, com pintura perolizada em dois tons inspirada no capacete do pai. Serão produzidos apenas cinco exemplares, e o preço não foi divulgado.
Para o mercado brasileiro, o destaque fica entre a nostalgia da F1 em Interlagos e a chegada da Ram 2500 Laramie Night Edition, que reforça a oferta de picapes de alto padrão com um pacote essencialmente estético. As demais notícias, de design e tecnologia, mostram debates que também devem influenciar os carros que chegarão ao país nos próximos anos.
