quarta-feira, 21 de outubro de 2026

Subaru vai na contramão de Toyota e Honda e vai cortar até os híbridos da Europa, incluindo o clássico motor boxer

A Subaru deixará de vender carros a combustão na Europa até o fim de 2027 e, a partir de 2028, oferecerá apenas modelos elétricos no continente. A decisão inclui os híbridos vendidos atualmente na região e aposenta, naquele mercado, o motor boxer que ajudou a tornar a marca famosa. A informação é da revista alemã Auto Motor und Sport, que obteve a confirmação da subsidiária local.

Como será a retirada europeia

O cronograma começa pelo Outback com motor 2.5 aspirado de 169 cv, que deixará o mercado ainda em 2026. Ao longo de 2027, será a vez de Impreza, Crosstrek e Forester, atualmente oferecidos com o conjunto 2.0 e-Boxer eletrificado.

Segundo a publicação alemã, a fabricação dessas configurações europeias já foi encerrada, e resta apenas a comercialização dos estoques. A decisão está ligada principalmente às exigências de emissões e segurança, que aumentam o custo de manter os carros à venda numa região em que a Subaru tem volumes relativamente pequenos.

A substituição também altera bastante a origem dos produtos, já que os elétricos Solterra, Uncharted e E-Outback foram desenvolvidos em colaboração com a Toyota.

O boxer não acaba no mundo

A despedida europeia não representa o fim mundial do boxer. O motor continua nos planos da fabricante para outros mercados, inclusive associado a sistemas híbridos mais completos.

Na Subaru, o boxer estreou em maio de 1966 no Subaru 1000, já com quatro cilindros e refrigeração a água. Começava ali uma família que receberia diferentes cilindradas, turbo, injeção direta e, mais recentemente, assistência elétrica. A marca chegou a oferecer até um boxer a diesel, lançado em 2008, mas essa alternativa foi abandonada.

Em 2016, quando comemorou os 50 anos do primeiro boxer, a fabricante já havia produzido mais de 16 milhões de unidades. A fama entre os entusiastas veio com o Impreza WRX e o WRX STI, acompanhados pelos motores turbo e pela participação nos ralis.

Do Fusca aos japoneses dos ralis

Para o brasileiro, a história dessa arquitetura começa muito antes dos esportivos japoneses, principalmente nos Volkswagen refrigerados a ar, como Fusca, Kombi e Brasília. O princípio é o mesmo: em vez de ficarem alinhados ou distribuídos em "V", os cilindros ficam deitados, em dois lados opostos do motor, com os pistões trabalhando horizontalmente.

Isso não significa, porém, que os Subaru tenham motores derivados dos antigos Volkswagen, nem que usem o mesmo sistema de refrigeração.

A disposição dos cilindros permite um conjunto mais baixo, ajudando a reduzir o centro de gravidade, enquanto o movimento dos pistões opostos contribui para conter as vibrações. A Subaru combinou essas características com a tração integral em boa parte de sua linha, levando a solução tanto para sedãs e peruas familiares quanto para SUVs.

Caminho oposto ao de outras japonesas

Ao retirar até os híbridos de sua linha europeia, a Subaru segue um caminho diferente do adotado por outras japonesas. A Toyota desenvolve uma nova família de motores 1.5 e 2.0, preparada para trabalhar com sistemas híbridos e diferentes combustíveis.

A Honda também reforçou sua aposta nos híbridos, redirecionando recursos de desenvolvimento e produção para essa tecnologia. Seu novo sistema, batizado simplesmente de Honda Hybrid, começará a chegar em 2027 e deverá equipar cerca de 15 modelos até março de 2030, com foco inicial na América do Norte, no Japão e na Índia. A proposta é evoluir o atual e:HEV, mantendo o motor a gasolina trabalhando com propulsores elétricos, sem abandonar a combustão nem focar diretamente em modelos elétricos.

O que muda para o mercado brasileiro

A decisão diz respeito à Europa, e a fonte não traz informações sobre planos da Subaru para o Brasil. Ainda assim, o movimento ajuda o consumidor brasileiro a entender como as fabricantes japonesas divergem em suas estratégias: enquanto a Subaru aposta nos elétricos em um mercado com exigências rigorosas de emissões e segurança, Toyota e Honda reforçam os híbridos. Para os entusiastas, o recado é que o boxer segue vivo fora da Europa, mas sua presença deixará de ser garantida em todas as regiões.

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