A Jetour lançou no mercado brasileiro, em julho, o T2 4×4, um híbrido plug-in com tração nas quatro rodas. O que chama atenção é a forma como a marca divulga a potência: em vez de apresentar uma potência combinada, informa a simples soma das potências dos motores como "potência total instalada", que resulta em 597 cv. A prática levanta a pergunta que dá título a esta matéria: somar a potência de todos os motores em um carro híbrido é um critério correto?
Uma soma, e não uma potência combinada
O ponto central da discussão está na diferença entre os dois conceitos. A Jetour não anuncia uma potência combinada do conjunto, mas a adição direta dos números de cada motor. Por isso, o valor de 597 cv aparece rotulado como "potência total instalada", e não como a potência que o carro efetivamente entrega em conjunto.
Outro detalhe relevante é que a fabricante não divulga a soma do torque dos motores. Ou seja, a marca destaca o número agregado de potência, mas não faz o mesmo com o torque.
Os motores do T2 4×4
O T2 4×4 combina um motor a combustão com três propulsores elétricos. Os números de cada um são:
- Motor 1.5 turbo a gasolina: 135 cv e 20,4 kgfm de torque;
- Primeiro motor elétrico dianteiro: 102 cv e 17,3 kgfm;
- Segundo motor elétrico dianteiro: 122 cv e 22,4 kgfm;
- Motor elétrico traseiro: 238 cv e 31,6 kgfm.
A soma das potências desses quatro motores é o que resulta nos 597 cv divulgados pela Jetour. Como o modelo tem dois motores elétricos na frente e um atrás, a configuração viabiliza a tração integral, como o próprio nome do carro indica.
O que isso significa para o consumidor
Ao comparar híbridos plug-in, o comprador brasileiro precisa ficar atento ao que cada número representa. Um valor de "potência total instalada" mostra a soma das capacidades individuais dos motores, mas não equivale, necessariamente, a uma potência combinada do sistema. Ao avaliar o T2 4×4 ou concorrentes, vale verificar como cada fabricante apresenta seus dados e comparar critérios iguais.
Para o mercado nacional, o lançamento do T2 4×4 reforça a presença dos híbridos plug-in com tração integral e traz à tona um debate sobre transparência na divulgação de especificações, algo que tende a ganhar importância à medida que esses modelos se popularizam.
