domingo, 11 de outubro de 2026

Stellantis faz diagnóstico sobre competitividade da indústria frente à China

O presidente da Stellantis América do Sul, Herlander Zola, admitiu que a indústria automobilística ocidental, de modo geral, errou ao demorar a perceber o modelo verticalizado de produção chinesa. Em entrevista concedida esta semana, o executivo afirmou que esse desenho resultou em custos bem menores e abriu caminho para a exportação em escala mundial. Zola também defendeu que a resposta do Brasil vá além da simples elevação do imposto de importação.

O erro de leitura sobre o modelo chinês

Segundo Zola, a produção verticalizada das fabricantes chinesas garantiu uma vantagem de custo relevante. Esse foi o primeiro passo de uma estratégia que levou, em seguida, à exportação para o mundo. A indústria ocidental, avalia o executivo, demorou a entender o que estava acontecendo.

A Stellantis, vale lembrar, controla várias marcas no Brasil: Fiat, Jeep, Ram, Peugeot, Citroën e Leapmotor. O diagnóstico, portanto, vem de um grupo com presença ampla no mercado nacional.

As marcas chinesas, de acordo com a matéria-fonte, exportam com grande ajuda governamental, sem transparência quanto a custos trabalhistas reais e outros subsídios. Pressionadas pela Europa, porém, já começam a instalar fábricas no continente e talvez até nos EUA, se estes permitirem.

Barreiras tarifárias: EUA e Europa reagiram, o Brasil demorou

Tanto os Estados Unidos quanto a União Europeia ergueram barreiras tarifárias para se proteger. O Brasil, ao contrário, demorou a perceber as consequências desse movimento.

Há ainda a questão da alíquota de 35% aplicada à importação de veículos desmontados (CKD) ou semidesmontados (SKD), considerada uma barreira insuficiente. EUA e União Europeia reagiram com alíquotas muito maiores como meio de salvar os empregos locais, dispensando a antiga norma da Organização Mundial de Comércio (OMC), que estipulou alíquota máxima de 35%.

Caminhos além do imposto de importação

Para Zola, há outros caminhos possíveis. Um deles é incentivar os fabricantes de veículos a comprar aço, pneus, plásticos e outros componentes de fornecedores instalados no País. Ele lembrou que, só neste ano, serão importados 700 mil veículos leves.

O executivo foi direto: diante do cenário atual, se nada for feito, "é melhor produzir carros na China, desmontar e trazer para cá". Por isso, afirmou, é importante criar regras de estímulo.

Elétricos e incentivos estaduais

Zola também comentou a ascensão dos modelos elétricos no mercado brasileiro. Admitiu que, em alguns estados, "quem compra um carro de motor a combustão precisa ganhar um prêmio". A referência foi à isenção total do IPVA, por tempo indeterminado, para elétricos em Pernambuco, por exemplo. Outros estados também criaram incentivos.

Na capital paulista, elétricos e híbridos, inclusive os semi-híbridos, estão dispensados do rodízio pelo final de placa.

Para o mercado brasileiro, o recado é que a competitividade da indústria local depende de uma política que combine proteção tarifária com estímulo à cadeia de fornecedores instalada no País. A fala do presidente da Stellantis América do Sul reforça o debate sobre como equilibrar a entrada de veículos importados, os incentivos à eletrificação e a preservação da produção e dos empregos nacionais.

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