O Salão do Automóvel de Paris terá uma participação recorde de marcas chinesas. Segundo informações da Reuters, aproximadamente 60 dos 100 expositores confirmados são fabricantes de automóveis, e 20 delas são originárias da China. Isso significa que um terço das montadoras presentes vem do país asiático, um sinal claro de como a expansão chinesa está mudando o cenário automotivo europeu.
O dobro de marcas chinesas em dois anos
O número chama atenção pela velocidade do crescimento. A edição anterior, realizada em 2024, contou com apenas dez marcas chinesas, o que quer dizer que a presença dessas fabricantes dobrou em dois anos. O movimento acompanha uma mudança no próprio mercado europeu, onde os carros de marcas chinesas já representam mais de 10% das vendas de veículos novos.
Nomes como BYD, Geely, Chery, Jaecoo e Leapmotor já conquistaram espaço entre os consumidores europeus, com produtos que disputam diretamente com modelos tradicionais. Neste ano, o salão também receberá fabricantes menos conhecidas fora da China, que pretendem usar o evento para apresentar seus produtos e ampliar operações comerciais. Entre as estreantes ou participantes em expansão estão Li Auto, Aito, Aion e 212, além de outras marcas interessadas em estabelecer presença no continente.
A participação dessas empresas reforça a importância estratégica do salão francês, realizado a cada dois anos e considerado um dos principais eventos automobilísticos da Europa. Para quem acompanhou edições anteriores, a quantidade de marcas pouco familiares nos estandes deve ser uma das mudanças mais evidentes.
Híbridos ganham espaço além dos elétricos
Outro ponto importante é que os fabricantes chineses não concentrarão suas apresentações exclusivamente nos elétricos, segmento que inicialmente impulsionou a expansão internacional. Os híbridos ganharam importância crescente depois que a União Europeia estabeleceu tarifas adicionais de até 35% sobre elétricos importados da China.
Essas medidas, destinadas a compensar subsídios considerados prejudiciais à concorrência, aumentaram as dificuldades comerciais de algumas fabricantes chinesas no mercado europeu. Os híbridos, porém, não estão sujeitos às mesmas tarifas adicionais e pagam atualmente a taxa convencional de importação de 10%. Essa diferença incentivou as marcas chinesas a ampliar suas linhas híbridas, que permitem disputar consumidores sem enfrentar as mesmas restrições aplicadas aos elétricos.
A União Europeia já trabalha em novas medidas para limitar essa vantagem comercial, o que mostra a preocupação das autoridades com o crescimento das importações.
Europeias respondem com novidades, e a BMW fica de fora
Apesar da presença chinesa recorde, as fabricantes europeias também preparam novidades para recuperar a atenção do público. A Audi apresentará o novo A2 e-tron, e a Skoda levará o Peaq, ampliando a presença de modelos eletrificados entre os lançamentos europeus. A programação inclui ainda as versões de produção do Dacia Striker e do Fiat Grizzly.
Além dos modelos destinados à produção, o salão receberá conceitos que antecipam possíveis novidades, como o Renault E-Space e uma proposta relacionada ao Citroën 2CV. Os projetos indicam que as marcas tradicionais seguem investindo em novos automóveis, mesmo diante da concorrência crescente das empresas chinesas.
Uma ausência importante será a da BMW, que decidiu não participar do evento, embora tenha produtos novos para mostrar. Entre as novidades que a marca alemã poderia exibir estão o novo Série 3, o iX4 e o X5, que não integrarão sua participação. A decisão chama atenção porque a exposição francesa tradicionalmente funciona como vitrine importante para lançamentos voltados ao consumidor europeu.
O que isso significa para o mercado
O Salão de Paris deste ano mostra que a disputa automotiva na Europa entra em uma nova fase, em que as fabricantes tradicionais terão de dividir cada vez mais espaço com concorrentes asiáticos. Para o leitor brasileiro, o evento serve como termômetro das estratégias das marcas chinesas. Elas combinam elétricos e híbridos, se adaptam às barreiras comerciais e buscam ampliar presença internacional. Acompanhar essa movimentação ajuda a entender para onde caminha a indústria global.
