A venda de veículos eletrificados leves somou 434 mil unidades de janeiro a setembro, resultado 126,2% acima das 192 mil unidades do mesmo período do ano passado, segundo dados da Anfavea. Do total, 262 mil são importados, 100 mil são de montagem CKD e SKD e 72 mil foram fabricados localmente.
Origem dos eletrificados vendidos
Os importados responderam por 262 mil unidades, alta de 82,7% frente aos 143 mil registrados no mesmo comparativo. Já os veículos fabricados localmente somaram 72 mil, acréscimo de 49,2% em relação aos 49 mil de 2025. As 100 mil unidades de montagem CKD e SKD ainda não têm base de comparação.
Para o presidente executivo da Anfavea, Igor Calvet, a soma dos 100 mil CKD e SKD com os 262 mil importados resulta em um número "bastante expressivo". Ele defendeu a sofisticação produtiva de toda a cadeia no País e a não "CKDização" da fabricação automotiva nacional, "muito menos na velocidade em que está acontecendo". Segundo ele, um ano atrás nem se contabilizava produção por essa modalidade.
O dirigente chamou a atenção também para os incentivos concedidos a todas as empresas, inclusive associadas à Anfavea, por entender que este é um modelo que o Brasil seguirá: "Esta é a nossa grande preocupação". Ele ressaltou ainda a produção massiva de CKD e SKD, que totaliza 123 mil unidades, 5,4% do total fabricado nacionalmente, volume que já supera o produzido individualmente por cerca de 60% das fábricas instaladas no Brasil.
Elétricos lideram o crescimento
Dos 434 mil veículos leves eletrificados, a maior parte, 167 mil, são elétricos, alta de 206,1% sobre os nove primeiros meses do ano passado. Outros 137 mil são híbridos plug-in, com crescimento de 110,7%, e 130 mil são híbridos, 80,1% a mais.
No acumulado de 2025, a composição era outra: dos 192 mil emplacamentos de eletrificados, a maioria, 72 mil, era de híbridos, seguidos por 65 mil híbridos plug-in e 54 mil elétricos. Mesmo os híbridos, que foram os que menos expandiram, cresceram 80%.
Calvet destacou o avanço dos 100% elétricos: "Tínhamos a previsão de que o número atual chegaria em 2030, mas nos nove meses o total de emplacamentos de eletrificados foi o triplo do mesmo período do ano passado. Fomos pegos de surpresa".
Eletrificação deixa de ser tendência
Em nove meses, a participação dos eletrificados no País praticamente dobrou, passando de 10,6% para 20,1%. Para o executivo, "a eletrificação não é mais uma tendência. Já é uma realidade do mercado".
Questionado sobre o fato de as montadoras instaladas no Brasil terem acreditado em uma adoção mais lenta e cautelosa, principalmente dos veículos 100% a bateria, Calvet admitiu: "Olhando pelo retrovisor talvez possamos ter sido lentos, ter errado a mão. Mas olhar pelo retrovisor é sempre mais fácil. No fim são apostas de mercado".
Com o mercado se consolidando em torno das novas tecnologias, ele disse ter se perguntado se o País atingirá um teto por causa de infraestrutura e regulação. "Eu imaginava, inicialmente, que seria um teto mais baixo do que este. É uma realidade de mercado com a qual todos nós precisamos aprender a lidar e a internalizar estes dados com mais tranquilidade."
O que muda para o mercado brasileiro
Os números mostram um mercado em que os eletrificados já respondem por 20,1% das vendas e em que os elétricos puros assumiram a liderança entre as tecnologias. Ao mesmo tempo, o peso dos importados e da montagem CKD e SKD alimenta o debate da indústria sobre como equilibrar a oferta crescente de eletrificados com a produção nacional mais sofisticada defendida pela Anfavea.
