quinta-feira, 8 de outubro de 2026

Renault busca na Michelin sua nova diretora financeira em meio a trocas no comando, queda das ações e pressão das marcas chinesas

A Renault escolheu Carine Damois, atual vice-diretora financeira da fabricante de pneus Michelin, para comandar suas finanças a partir de novembro. Ela substituirá Duncan Minto, que deixará a montadora francesa em 13 de novembro. A mudança chega num momento delicado, com as ações em queda, a concorrência crescente das fabricantes chinesas e uma sequência de trocas na liderança da empresa.

Quem entra e quem sai

O anúncio oficial foi divulgado pela Renault em 5 de outubro. Antes dele, a Bloomberg News já havia antecipado a mudança, que se soma a outras alterações recentes na administração da companhia.

Minto é diretor financeiro desde março do ano passado e decidiu deixar a empresa para buscar novas oportunidades profissionais. Em mensagem publicada no LinkedIn, depois de uma consulta da Bloomberg, ele disse que seguirá um novo e empolgante desafio fora da Renault.

A escolha de Damois foi conduzida pelo CEO François Provost, que procurava um substituto havia vários meses. Provost assumiu a liderança da montadora há mais de um ano e tenta consolidar sua equipe de gestão.

Uma sequência de mudanças na liderança

O período de reorganização começou com a saída inesperada do antigo CEO, Luca de Meo, que deixou a Renault no ano passado para comandar a Kering, grupo francês especializado em marcas de luxo. Naquele momento, Minto teve papel importante para manter a estabilidade administrativa da Renault, ao lado de Jean-Dominique Senard, presidente do conselho. Sua experiência foi considerada relevante nas semanas seguintes à saída de De Meo, quando a empresa precisava reorganizar a liderança.

Outras perdas atingiram a administração e as equipes ligadas ao desenvolvimento e ao posicionamento dos automóveis:

  • Gilles Vidal, designer automotivo reconhecido por seu trabalho, decidiu seguir carreira na concorrente Stellantis.
  • Arnaud Belloni, antigo responsável pelo marketing da Renault, também deixou o cargo para integrar a estrutura da Stellantis.

Ações em queda e a pressão chinesa

Essas movimentações acontecem enquanto a Renault enfrenta dificuldades compartilhadas por outras fabricantes europeias, principalmente no controle de custos e na competitividade dos produtos. As ações da companhia acumulam desvalorização de 29% neste ano, o que reflete parte dos problemas do setor diante das novas condições de mercado.

Um dos principais desafios vem das fabricantes chinesas, que ampliam sua presença internacional com automóveis mais acessíveis e aumentam a pressão sobre as concorrentes tradicionais. Nesse cenário, a Renault precisa administrar seus investimentos e preservar a competitividade, justamente quando passa por trocas sucessivas em posições importantes.

Investimentos em elétricos e o peso do governo francês

A montadora mantém planos de continuar investindo na indústria francesa de veículos elétricos, mas a concretização da estratégia depende de condições externas favoráveis. Em 3 de outubro, Provost afirmou que a companhia pretende manter os investimentos no setor nos próximos anos, desde que haja apoio político e social.

O governo francês tem participação de 15% na Renault, o que torna o rumo da fabricante relevante também para os interesses industriais do país.

Para o mercado brasileiro, o episódio mostra que uma marca de forte presença global passa por um período de ajuste interno, com a disputa contra as chinesas pesando sobre custos, investimentos e competitividade. A chegada de Carine Damois coloca uma nova executiva à frente de decisões financeiras que ganham peso nesse contexto. Ela terá uma empresa que busca fortalecer sua posição na Europa, enfrentar a concorrência chinesa e manter seus compromissos industriais na França.

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