A Stellantis atravessa um momento de forte pressão nos Estados Unidos, mas a direção da companhia não mexeu nas principais metas financeiras. Antonio Filosa, CEO da fabricante, reafirmou as projeções para este ano mesmo depois de as ações americanas atingirem o menor nível desde a criação do grupo. A empresa segue prevendo o retorno ao fluxo de caixa livre positivo até 2027.
Metas mantidas apesar da pressão
A Stellantis continua esperando crescimento percentual de um dígito médio na receita líquida, acompanhado por margem operacional ajustada na faixa baixa de um dígito. Filosa afirmou que a administração permanece totalmente comprometida com esses objetivos e disse estar convencido de que a companhia conseguirá cumprir o que projetou.
Outra meta importante envolve o caixa. Além de voltar ao fluxo de caixa livre positivo até 2027, a empresa tem como objetivo, para 2028, superar € 3 bilhões (R$ 17,7 bilhões) em fluxo de caixa livre. Seria uma mudança expressiva diante dos resultados recentes: no ano passado, a Stellantis registrou fluxo de caixa livre negativo de € 4,5 bilhões (R$ 26,6 bilhões), o que mostra o tamanho do desafio financeiro.
Ações no menor nível histórico
As ações encerraram a terça-feira em seu menor fechamento histórico nos Estados Unidos, acumulando queda de aproximadamente 60% desde o começo do ano. Na quarta-feira, os papéis recuaram outros 1,58% e terminaram negociados a US$ 4,36 (R$ 23) por ação no mercado americano.
Se o desempenho acumulado for mantido, este será o pior ano das ações desde a formação da Stellantis, criada em janeiro de 2021 pela união entre Fiat Chrysler e PSA Groupe.
O plano de recuperação
A reação da companhia envolve um plano de recuperação estimado em aproximadamente US$ 70 bilhões (R$ 363 bilhões), elaborado após anos de retração nas vendas e deterioração das margens. Os problemas foram especialmente relevantes na América do Norte e nos Estados Unidos, mercados que passaram a ocupar posição central na estratégia conduzida por Filosa.
- Maior atenção às marcas regionais, incluindo Ram e Jeep nos Estados Unidos, para recuperar consumidores e melhorar os volumes comerciais.
- Administração mais precisa das marcas, com novos investimentos e ampliação de parcerias.
- Otimização da estrutura industrial.
- Maior autonomia para equipes locais, tornando as regiões mais independentes para responder às necessidades e preferências de seus mercados.
A Stellantis não pretende reduzir atualmente seu extenso portfólio de 14 marcas automotivas. Filosa, que assumiu o cargo de CEO em junho de 2025, resumiu a nova orientação durante um evento da Automotive News realizado em Detroit: segundo o executivo, a reformulação gira em torno da liberdade de escolha e de uma disposição maior para ouvir o que os clientes realmente procuram.
Apesar da posição oficial de preservar a estrutura atual, analistas seguem acompanhando outros cenários. Tom Narayan, analista da RBC Capital Markets, afirmou em nota a investidores que uma eventual separação da Stellantis permanece como cenário plausível no longo prazo.
O que isso significa para o mercado
A matéria trata do desempenho global e americano da Stellantis, sem detalhar efeitos diretos sobre a operação no Brasil. Ainda assim, a estratégia de dar mais autonomia às regiões e de tratar as marcas de forma mais precisa é um movimento que o consumidor brasileiro deve acompanhar, já que o grupo reúne marcas presentes em diferentes segmentos e mercados. O desfecho dependerá de a empresa entregar, nos próximos anos, as metas de caixa e de margem que mantém de pé.
