Sabe aquele visual mais bandido, bem urbano e arrojado que agrega esportividade a qualquer carro pacato? A Ford se valeu disso com a versão Storm nos últimos anos de existência do EcoSport.
O modelo que mudou o mercado e o significado de SUVs tem nesta configuração uma ótima combinação: desenho diferente com a benesse do maior recheio que se espera em uma configuração topo de linha.
Por isso, vamos detalhar 10 fatos sobre o Ford EcoSport Storm, uma opção bacana para quem quer um carro alto, com cara de mau, bom desempenho e até tração 4×4 para aquela aventura limitada.
1. História do Ford EcoSport

A primeira geração do Ford EcoSport apareceu em fevereiro de 2003 para dar um novo significado à carroceria de utilitário esportivo. Derivado diretamente do hatch Fiesta, chegou como o SUV mais barato do país e opções de motores 1.0, 1.0 Supercharger, 1.6 e 2.0.
O EcoSport era tão inegavelmente urbano que só foi ter opção de versão com tração integral sob demanda em 2005. E isso por pura insistência da Ford dos Estados Unidos, mas as variantes 4WD jamais passaram de 2% nas vendas totais desta fase inicial do SUV.
A Ford apresentou a segunda geração do EcoSport em julho de 2012. O SUV manteve a mesma lógica urbana, só que derivado do New Fiesta. Nas versões mais caras, manteve o motor 2.0, só que o 1.6 8V deu lugar ao 1.6 16V Sigma.
Teve a infelicidade de ser equipado com a caixa Powershift, automatizada de dupla embreagem e seis marchas, que deu dores de cabeça a vários donos do SUV. Em 2019, a Ford lançou a versão Storm para o EcoSport, com design mais esportivo, motor 2.0 e tração integral.
Ainda deu tempo de a Ford trocar o motor 1.6 do EcoSport pelo 1.5 Dragon e adotar câmbio automático tradicional de seis marchas no lugar do Powershift. Em 2021, a Ford fechou suas fábricas no Brasil e o SUV deu adeus, com mais de 720 mil licenciamentos em 18 anos.
2. Projeto brasileiro e pioneiro

O EcoSport foi o segundo produto do projeto Amazon, da Ford brasileira. Este começou com o Fiesta de quinta geração produzido na então nova planta da montadora em Camaçari (BA), a partir de 2002 – hoje a fábrica é da BYD.
Dizem que o primeiro esboço do Eco foi feito em um guardanapo em um restaurante. O fato é que a Ford se valeu de outros movimentos, como as versões Adventure da Fiat, e de pesquisas de mercado que apontavam que menos de 5% dos donos de utilitários esportivos usaram, alguma vez, a tração 4×4.
Tanto que o EcoSport nasceu sem opção de 4×4 e feito sobre monobloco. Quase uma década depois outras marcas despertaram para isso e hoje o mundo é dominado por SUVs genuinamente urbanos muito graças ao nosso primeiro Eco.
Durante essa letargia e falta de reação das marcas rivais, a Ford nadou de braçadas. Foi o SUV mais vendido por mais de 10 anos e seus licenciamentos só começaram a ser abalados para valer na segunda metade dos anos 2010, com a chegada de uma leva de crossovers compactos.
3. No que o EcoSport Storm é diferente
O Ford EcoSport Storm nasceu em 2019. Ele chama a atenção justamente pelo visual mais soturno. A começar pela grade preta com o nome da versão em relevo por cima de uma barra horizontal.
Ainda na frente, faróis com lentes escurecidas e para-choque diferente do restante da linha. Esse design foi inspirado na dianteira da então geração anterior da picape F-150 Raptor (que ainda nem sonhava em ser vendida no Brasil).
Nas laterais, rodas de liga leve com aros de 17 polegadas e desenho exclusivo, e adesivos pela carroceria. Na traseira, capa de estepe personalizada e lanternas com lentes escurecidas.
O Ford EcoSport Storm era baseado na versão topo de linha Titanium, mas adotou padrões também escurecidos na forração do teto e no painel. Há detalhes do acabamento em laranja na parte inferior da tela multimídia, dos puxadores de porta e do console.
Curiosidade: a variante elevou a participação das versões 4WD. Se na primeira geração não passava dos 2%, só a Storm chegou a ter mais de 5% de mix dentro dos emplacamentos totais do SUV.





4. Desempenho do EcoSport Storm
Nesta fase do EcoSport, o motor aspirado 2.0 16V da família Duratec da Ford já era dotado de injeção direta. O que significa que os 176 cv de potência com etanol e 170 cv, com gasolina, até sobram em determinadas situações.
As primeiras acelerações são boas, com respostas rápidas. O câmbio automático de seis marchas é que demora um pouco nas relações mais altas. Com isso, o 0 a 100 km/h é feito em 10 segundos.
Já o torque de 22,5/20,6 kgfm se apresenta nas 4.500 rpm. O que requer atenção ao conta-giros na hora em que precisar fazer alguma ultrapassagem com o Ford EcoSport Storm na estrada, por exemplo.

Dinamicamente o SUV agrada. Bom lembrar que essa geração do EcoSport se valia de sistema de medição a laser de alta precisão para fazer o alinhamento da dianteira na fábrica de Camaçari – mesma técnica usada no Mustang daqueles tempos. Sem falar na grade dianteira ativa.
Além disso, especialmente a configuração Storm do Ford EcoSport recebeu calibragem diferente na suspensão (a traseira é independente multibraço) e na direção com assistência elétrica. A estabilidade é boa: o SUV torce pouco e aponta bem nas curvas.
5. EcoSport Storm tração 4×4, mas vá com calma

Um dos destaques do Ford EcoSport Storm é o 4WD, o sistema de tração integral. Desenvolvido pela Mazda (marca japonesa na qual a norte-americana tinha participação até os anos 2010), funciona por acoplamento viscoso sob demanda.
A tração integral possibilita uma leve aventura, em trechos de terra inocentes e discretamente mais acidentados. Além disso, a recalibragem da suspensão aumentou em 1,7 cm a altura do SUV (1,70 m no total), que tem distância do solo de 20 cm e ângulo de ataque de 23,6 graus.
Contudo, não se anime. O EcoSport é um SUV originalmente urbano e trechos mais fora de estrada devem ser evitados. Bom lembrar que seu ângulo de saída de 19 graus pouco ajuda, esta variante usa pneus de asfalto e o sistema 4WD não oferece reduzida.
6. Acabamento do EcoSport Storm é bom

Derivado de um hatch compacto, não há milagres na cabine do EcoSport. O ambiente é parecido com o do New Fiesta e há espaço limitado para pernas, ombros e joelhos para passageiros da frente e de trás.
O SUV compensa com uma posição bem alta de dirigir, contudo os bancos poderiam ter uma densidade melhor. O porta-malas comporta 362 litros, volume maior que o de um hatch atual, como o Fiat Argo.
O acabamento interno é bem superior ao do da primeira geração, porém segue bastante simples, com muito plástico duro e com poucas superfícies macias. Os tons escurecidos da Storm suavizam a simplicidade a bordo do Ford EcoSport.
Já a suspensão merece elogios. Trata bem os motoristas da frente, com baixa vibração no volante. E também não sacoleja tanto atrás, ainda mais para um SUV alto como o EcoSport. O isolamento acústico é eficiente em boa parte do tempo.
7. Equipamentos



O EcoSport Storm é o mais completo da linha do SUV pequeno da Ford. Na segurança, sete airbags, controles de tração, estabilidade e subidas, sensor de ponto cego com alerta de tráfego cruzado, câmera e sensor de ré, aviso de pressão baixa dos pneus e faróis bi-xenon adaptativos com ajuste de altura automática e lavadores.
A versão topo de linha é equipada, ainda, com central multimídia com tela de oito polegadas com GPS nativo, espelhamento de celular, tomada USB, conexão Bluetooth e sistema de som premium da Sony.
Teto-solar elétrico, chave presencial com partida do motor por botão, bancos e volante revestidos de couro, ar-condicionado automático e digital, sensores de chuva e crepuscular, piloto automático, aletas para mudanças de marcha e ajuste lombar para o banco do motorista completam o pacote.
8. Nossa dica: Ford EcoSport Storm 2020
Sugerimos a safra 2020 do EcoSport Storm, a penúltima de existência do SUV da Ford. Veja os preços médios pelo indicador da KBB Brasil (apurado em julho de 2026):
- Preço de loja: R$ 90.172
- Preço de particular: R$ 81.155
- Preço de troca: R$ 67.489
9. Quanto custa consertar o EcoSport?
- Jogo com quatro pastilhas do freio dianteiro: de R$ 200 a R$ 260
- Jogo com quatro velas de ignição: de R$ 270 a R$ 330
- Bomba de combustível: de R$ 250 a R$ 410
- Kit troca de óleo (4 litros 5w30 + filtro): de R$ 230 a R$ 400
- Amortecedor traseiro: de R$ 440 a R$ 620 (par)
- Para-choque traseiro: de R$ 600 a R$ 950
- Farol direito: de R$ 1.600 a R$ 2.900
10. Principais problemas
Veja as principais queixas de donos do Ford EcoSport de segunda geração coletados em fóruns na internet, grupos virtuais de discussão e no site Reclame Aqui:
- Desgaste precoce de pastilhas dos freios
- Trincas nos discos de freio
- Defeitos na bomba de combustível
- Falhas no sistema de injeção
- folgas na coluna de direção
Recalls do EcoSport 2:
- Troca do trinco da fechadura das portas e do porta-malas em unidades 2013 e 2014
- Verificação e eventual substituição dos pneus em carros ano 2014
- Troca dos fechos dos cintos de segurança em modelos feitos de 2016 a 2017
- Atualização do software do módulo de controle do motor 1.5 em unidades fabricadas entre 2018 e 2019
- Verificação e eventual troca da estrutura do encosto dos bancos dianteiros em modelos 2019 e 2020
Confira a avaliação que fizemos quando o SUV foi lançado
