A versão Storm foi a aposta da Ford nos últimos anos do EcoSport para unir visual mais escurecido e esportivo ao maior nível de equipamentos da linha. Lançada em 2019, a configuração reúne desenho diferenciado, motor 2.0 e tração integral, o que a torna uma opção interessante no mercado de usados para quem busca um carro alto, de aparência marcante e bom desempenho.
Do pioneirismo ao adeus no Brasil
A primeira geração do EcoSport apareceu em fevereiro de 2003 e deu um novo significado ao utilitário esportivo. Derivado do hatch Fiesta, chegou como o SUV mais barato do país, com opções de motores 1.0, 1.0 Supercharger, 1.6 e 2.0. A tração integral sob demanda só veio em 2005, por insistência da Ford dos Estados Unidos, e as variantes 4WD nunca passaram de 2% das vendas totais dessa fase inicial.
A segunda geração foi apresentada em julho de 2012, também com lógica urbana, agora derivada do New Fiesta. Nas versões mais caras, manteve o motor 2.0, enquanto o 1.6 8V deu lugar ao 1.6 16V Sigma. A caixa Powershift, automatizada de dupla embreagem e seis marchas, deu dores de cabeça a vários donos. Depois, a Ford trocou o 1.6 pelo 1.5 Dragon e adotou câmbio automático tradicional de seis marchas no lugar do Powershift.
Em 2021, a Ford fechou suas fábricas no Brasil e o SUV saiu de cena, com mais de 720 mil licenciamentos em 18 anos. Foi o segundo produto do projeto Amazon, que começou com o Fiesta de quinta geração produzido em Camaçari (BA) a partir de 2002. Hoje a fábrica pertence à BYD. Pesquisas de mercado apontavam que menos de 5% dos donos de utilitários esportivos usaram alguma vez a tração 4×4, e por isso o EcoSport nasceu sem essa opção e sobre monobloco. O modelo foi o SUV mais vendido por mais de 10 anos, até a chegada de uma leva de crossovers compactos na segunda metade dos anos 2010.
Visual, motor e comportamento do Storm
O Storm chama a atenção pelo visual soturno. A frente traz grade preta com o nome da versão em relevo sobre uma barra horizontal, faróis com lentes escurecidas e para-choque exclusivo, inspirado na dianteira da geração anterior da picape F-150 Raptor. Nas laterais, há rodas de liga leve aro 17 de desenho exclusivo e adesivos; atrás, capa de estepe personalizada e lanternas escurecidas.
Baseado na versão topo de linha Titanium, o Storm adotou tons escuros na forração do teto e no painel, com detalhes laranja na parte inferior da tela multimídia, nos puxadores de porta e no console. Outra curiosidade: a versão elevou a participação das variantes 4WD, e só o Storm chegou a ter mais de 5% de mix nos emplacamentos totais do SUV.
O motor aspirado 2.0 16V da família Duratec tem injeção direta e entrega 176 cv com etanol e 170 cv com gasolina. As primeiras acelerações são boas, com respostas rápidas, mas o câmbio automático de seis marchas demora um pouco nas relações mais altas. O 0 a 100 km/h é feito em 10 segundos, e o torque de 22,5/20,6 kgfm surge a 4.500 rpm, o que pede atenção ao conta-giros em ultrapassagens.
Dinamicamente, o SUV agrada. O Storm recebeu calibragem diferente na suspensão (traseira independente multibraço) e na direção com assistência elétrica. A estabilidade é boa: o carro torce pouco e aponta bem nas curvas. A suspensão trata bem os ocupantes, com baixa vibração no volante, e o isolamento acústico é eficiente na maior parte do tempo.
Tração 4WD, espaço e equipamentos
O sistema 4WD foi desenvolvido pela Mazda e funciona por acoplamento viscoso sob demanda. Permite uma leve aventura em trechos de terra inocentes e discretamente mais acidentados. A recalibragem da suspensão elevou o SUV em 1,7 cm (1,70 m no total), com distância do solo de 20 cm e ângulo de ataque de 23,6 graus. Mas o EcoSport é originalmente urbano: o ângulo de saída de 19 graus ajuda pouco, os pneus são de asfalto e o 4WD não tem reduzida. Trechos mais pesados devem ser evitados.
Por ser derivado de um hatch compacto, a cabine é parecida com a do New Fiesta, com espaço limitado para pernas, ombros e joelhos. Em compensação, a posição de dirigir é bem alta, embora os bancos pudessem ter melhor densidade. O porta-malas leva 362 litros, volume maior que o de um hatch atual como o Fiat Argo. O acabamento evoluiu em relação à primeira geração, mas segue simples, com muito plástico duro, e os tons escuros do Storm ajudam a suavizar essa impressão.
Em equipamentos, o Storm é o mais completo da linha. Na segurança, são sete airbags, controles de tração, estabilidade e subidas, sensor de ponto cego com alerta de tráfego cruzado, câmera e sensor de ré, aviso de pressão baixa dos pneus e faróis bi-xenon adaptativos com ajuste de altura automático e lavadores. A central multimídia tem tela de oito polegadas, GPS nativo, espelhamento de celular, USB, Bluetooth e som premium da Sony. Completam o pacote teto-solar elétrico, chave presencial com partida por botão, bancos e volante em couro, ar-condicionado automático digital, sensores de chuva e crepuscular, piloto automático, aletas para troca de marchas e ajuste lombar para o motorista.
O que significa para o mercado brasileiro
Para quem procura um SUV compacto usado, o EcoSport Storm combina visual diferenciado, bom nível de equipamentos e tração integral para uso eventual fora do asfalto. A recomendação é a safra 2020, a penúltima de existência do modelo. Vale pesar as limitações de espaço interno e o histórico de queixas da segunda geração, sobretudo em relação ao câmbio Powershift, e conferir com atenção o estado de cada unidade antes da compra.
