Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) chegam ao segundo turno de domingo (25) com propostas diferentes para o preço da gasolina e do diesel. O presidente quer continuar usando a Petrobras e subsídios para amortecer as altas internacionais, enquanto o adversário promete reduzir impostos e ampliar a produção nacional de combustíveis.
A análise do Motor1 se baseou nos programas registrados no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), nas medidas do governo Lula desde 2023 e nas do governo de Jair Bolsonaro, pai de Flávio, entre 2019 e 2022.
Lula quer manter a Petrobras no centro da política de preços
Na página 66 do programa, Lula afirma que a política de preços da Petrobras e as subvenções do governo ajudaram a diminuir as oscilações da gasolina, do diesel e do gás de cozinha. O texto promete continuar reduzindo o impacto das altas internacionais no Brasil, mas não fixa um preço máximo para o litro nem diz que a estatal deixará de considerar o mercado externo nos reajustes.
A proposta acompanha o que o governo fez desde 2023, quando a Petrobras deixou de seguir obrigatoriamente o preço de paridade de importação, o PPI. A empresa passou a adotar uma política própria, que ainda leva em conta alternativas disponíveis no mercado. O governo também recorreu a subsídios para o diesel em 2026 e ampliou a mistura de biocombustíveis: neste ano, o percentual de etanol na gasolina subiu temporariamente de 30% para 32%.
Na página 67, o programa defende ampliar a exploração de petróleo, o refino e a atuação da Petrobras, inclusive com o retorno da estatal ao setor de distribuição de combustíveis.
Flávio aposta em menos impostos e mais refino
Flávio Bolsonaro promete, nas páginas 30 e 31 do programa, reduzir os impostos sobre combustíveis. O documento não especifica quais tributos seriam cortados, em quanto nem como a perda de arrecadação seria compensada. A ideia lembra uma medida do governo de Jair Bolsonaro em 2022, quando houve desoneração federal e mudanças na cobrança do ICMS para tentar conter a alta dos preços.
A Petrobras não aparece no plano de Flávio, que também não promete retomar o PPI nem privatizar a empresa. O candidato defende a volta do Programa Nacional de Desestatização, com avaliação das estatais caso a caso. Nas páginas 52 e 53, propõe modernizar refinarias, aproveitar mais o petróleo produzido no país e atrair investimento privado para a infraestrutura de combustíveis e gás.
Durante o governo de Jair Bolsonaro, a Petrobras manteve o PPI e vendeu negócios como a BR Distribuidora e a refinaria da Bahia, mas continuou sob controle público.
O que pode mudar na bomba e nos carros eletrificados
Os dois candidatos querem produzir mais combustíveis no Brasil, mas dão papéis diferentes ao governo e à Petrobras. Lula admite o uso de subsídios e quer a estatal participando da proteção ao consumidor; Flávio concentra a promessa de preço menor na redução de impostos e no aumento da capacidade de refino. Nenhum dos programas permite calcular quanto custaria o litro da gasolina ou do diesel a partir de 2027, e nenhum promete congelar preços por decreto. O preço final continuará dependendo das decisões de quem produz, dos custos de importação, dos impostos e das margens até o posto.
Em relação a híbridos, elétricos e minerais para baterias, o programa de Lula cita os híbridos flex como conquista do mandato atual, sem anunciar incentivo específico à compra. Prevê ainda investimentos em ônibus elétricos e defende processar no país os minerais críticos. Flávio menciona ônibus elétricos e associa lítio, grafite e níquel à fabricação de baterias e veículos elétricos, com a proposta de atrair capital e tecnologia para o processamento no Brasil. Seu programa não traz meta de vendas de elétricos nem subsídios para a compra.
Para o consumidor brasileiro, o recado é de cautela: as propostas apontam direções distintas, com mais Petrobras e subsídios de um lado e menos impostos e mais investimento privado em refino do outro. Mas nenhuma delas traz números que permitam prever o preço na bomba nos próximos anos.
