A Peugeot confirmou o retorno da sigla GTI em uma configuração inédita: 100% elétrica. O novo e-208 GTI traz um motor elétrico de 281 cv que aciona as rodas dianteiras, contando com um diferencial autoblocante mecânico para ajudar a transmitir toda essa potência ao solo sem perder tração nas saídas de curva.
Desempenho e autonomia da bateria
O conjunto elétrico permite ao e-208 GTI acelerar de 0 a 100 km/h em 5,5 segundos. A energia vem de uma bateria com 51 kWh de capacidade útil, cuja autonomia varia conforme o pneu equipado: com os Michelin Pilot Sport 4S, mais voltados à performance, a marca anuncia 352 km; já com os Hankook Ventus S1 Evo3, oferecidos como alternativa, o número sobe para até 375 km.
Esses valores, no entanto, são medidos em ciclo homologado. Testes realizados pela imprensa europeia em condução esportiva registraram consumos entre 17 e 22 kWh/100 km, o que reduz a autonomia real para menos de 300 km em condições de uso mais intenso — um lembrete de que o comportamento de um hot hatch elétrico em uso esportivo penaliza a bateria de forma mais evidente do que em modelos elétricos voltados ao conforto.
Para compensar, a Peugeot equipou o modelo com recarga em corrente contínua de até 100 kW, permitindo recuperar de 20% a 80% da carga em 27 minutos. O motorista ainda pode alternar entre os modos de condução Eco, Normal e Sport, ajustando a entrega de potência conforme o uso — do trajeto urbano ao ritmo de pista.
Chassi reforçado e freios de pista
Para lidar com a potência superior a 281 cv e com um peso que ultrapassa 1.500 kg — puxado pela bateria —, a Peugeot revisou toda a base dinâmica do e-208 GTI. O carro recebeu bitolas alargadas, suspensão rebaixada e rodas de 18 polegadas, um conjunto que busca compensar o peso extra do pacote elétrico sem perder agilidade nas curvas.
Na frenagem, os discos dianteiros cresceram para 355 mm de diâmetro, dimensão típica de carros com pretensões mais esportivas e que reforça o compromisso do e-208 GTI em entregar resposta consistente mesmo sob uso intenso, quando o peso adicional das baterias exige mais do sistema de freios.
Para o mercado brasileiro, o e-208 GTI é sobretudo um indicador de para onde caminham os hot hatches: a sigla GTI, historicamente associada a motores a combustão de alta rotação, migra agora para uma arquitetura 100% elétrica sem abrir mão de diferencial autoblocante, freios reforçados e chassi rebaixado — elementos que mostram como a Peugeot tenta preservar o caráter esportivo da nomenclatura mesmo em uma mecânica totalmente distinta. O lançamento, por ora, é anunciado para a Europa.
