A BMW cumpriu a promessa de preencher a lacuna deixada pelo V8 na linha do Série 7 renovado. O novo M760 xDrive, da linha M Performance, traz de volta o motor de oito cilindros com mais potência do que o 760i que ele substitui, mas não ressuscita o V12 que tornava o M760i da geração anterior tão especial.
V8 biturbo de 4,4 litros no lugar do V12
Quando o Série 7 renovado foi lançado, no início deste ano, havia um espaço vazio na gama de motores. A marca de Munique havia prometido ocupá-lo mais adiante no ciclo de vida do modelo, e é isso que acontece agora com o M760.
Em vez de voltar ao motor de 12 cilindros que antes ocupava o topo da linha, a BMW mantém um V8 biturbo menor, de 4,4 litros, para dar ao seu maior sedã um impulso extra. Quem ainda quiser uma dúzia de cilindros sob o capô terá que optar por um Rolls-Royce Ghost.
Números, nome e posicionamento
De acordo com o BMW Blog, o M760 xDrive desenvolve cerca de 570 cv, um aumento significativo em relação aos 536 cv oferecidos pelo antigo 760i. Como o antecessor, ele envia potência às quatro rodas, com o xDrive de série.
- Apesar do emblema "M", não é exatamente um M7: o modelo se enquadra na categoria M Performance.
- O "i" saiu do nome. A letra, que historicamente se referia à injeção de combustível, continuará sendo usada exclusivamente para carros elétricos.
- Será o terceiro Série 7 M Performance, ao lado do M760e e do i7 M70.
- A BMW ainda não divulgou o torque do M760. O antigo 760i entregava 750 Newton-metros.
O antigo 760i não era vendido na Europa, mas o M760 está a caminho do continente. Isso sugere que a BMW encontrou uma forma de fazer o V8 cumprir as normas Euro 7.
Concorrência e a versão Alpina
O M760 chega enquanto os rivais seguem oferecendo sedãs de luxo cada vez mais potentes. O Mercedes-AMG S 63 E Performance aposta nos híbridos plug-in, enquanto a BMW mantém a ênfase na potência de combustão tradicional e deixa a eletrificação para outras versões do carro-chefe.
Já o Audi S8 não deve ser uma grande preocupação: a Audi encerra a produção do A8 este ano, e o sedã de luxo de Ingolstadt fica sem sucessor direto no futuro próximo. Um modelo de nova geração pode chegar, mas os relatos indicam que isso ainda levará vários anos.
O M760 também não será o único Série 7 com V8 nesta geração. Em 2027, a recém-criada submarca BMW Alpina lançará uma versão de luxo do sedã, que vai competir com o Mercedes-Maybach Classe S, embora não inteiramente, já que o rival ainda oferece um V12 em mercados selecionados. O modelo Alpina receberá um V8 especialmente ajustado, e não o mesmo motor do M760. Nada é oficial, mas o propulsor poderia priorizar torque em baixas rotações, e não potência máxima, o que combinaria melhor com o caráter de grand touring da marca.
O que muda para o mercado
Com os SUVs dominando as vendas, é revigorante ver a BMW ainda investindo em sedãs tradicionais. A gama do Série 7 reúne agora versões a gasolina e diesel, híbridos plug-in, o elétrico i7 e a versão M Performance com V8, o que dá aos compradores muitos motivos para continuar optando por um sedã.
Para o consumidor brasileiro que acompanha o segmento de luxo, o recado é que a BMW não abre mão do sedã de três volumes nem da motorização a combustão no topo da linha. Os SUVs podem dominar o mercado, mas ainda há espaço para um verdadeiro carro de luxo.
