A Aito, marca chinesa de SUVs de luxo criada em parceria entre Seres e Huawei, estuda desembarcar no Brasil e já conversa com concessionários. A tecnologia da Huawei deve ser o principal cartão de visita da empresa, que avalia estrear no país em 2028. A decisão, porém, ainda não é definitiva.
Primeiro a Europa, depois o Brasil
Antes de pensar no mercado brasileiro, a fabricante pretende iniciar suas atividades comerciais na Europa, previstas para o outono de 2027, estação que corresponde à primavera no Brasil. Essa operação exige homologação dos veículos, adaptações às condições locais e uma estrutura de serviços e peças, etapas que hoje concentram a atenção da empresa.
A possibilidade de chegada ao Brasil foi confirmada por fontes ligadas à Aito ao Jornal do Carro, durante o Salão de Paris. A companhia ressalta que seus planos para o país permanecem em fase de estudo, embora as conversas com concessionários brasileiros já tenham começado. A primeira informação sobre o interesse da marca pelo Brasil havia aparecido no site Auto+, em agosto, sem previsão para o início das vendas.
Identidade própria e foco em tecnologia
Criada em 2021, a Aito resulta da colaboração entre Seres e Huawei, responsável por tecnologias ligadas à cabine e à assistência à condução. Embora a propriedade da marca pertença ao grupo automotivo, a empresa quer construir uma identidade própria no Brasil, apoiada sobretudo em software e conectividade. Há ainda a intenção de evitar uma associação comercial com a Seres, que teve uma experiência malsucedida no mercado brasileiro.
O sistema de cabine HarmonyOS exemplifica a proposta ao integrar telas, comandos de voz e funções do veículo, ao lado dos recursos de assistência ao motorista da Huawei. Ainda não é possível afirmar quais dessas tecnologias chegariam ao Brasil, pois a disponibilidade dependeria das configurações e adaptações definidas para uma eventual operação local.
Os quatro SUVs da linha
A gama apresentada em Paris reúne os SUVs 6, 7, 8 e 9, identificados no mercado chinês pela letra M antes do número. A exposição mostra a variedade da linha, não uma seleção para o Brasil. Segundo a equipe de comunicação, novos produtos já terão sido lançados se a entrada no país for confirmada.
- M9: o maior da linha, com 5,23 m de comprimento e 3,11 m de entre-eixos, em versões de cinco ou seis lugares. Pode ser totalmente elétrico ou ter extensor de autonomia. Nessa segunda configuração, entrega cerca de 488 cv e 67,7 kgfm, acelera de 0 a 100 km/h em 4,9 segundos e tem tração integral, além de suspensão pneumática e amortecimento controlado eletronicamente.
- M8: mede 5,19 m de comprimento, quase 2 m de largura e 3,10 m de entre-eixos, com versões de cinco ou seis lugares. Também oferece as duas alternativas de propulsão e traz um compartimento para refrigerar ou manter aquecidos alimentos e bebidas.
- M7: voltado ao espaço para a família, tem 5,08 m de comprimento e 3,03 m de entre-eixos, com configurações para cinco ou seis ocupantes. Sua lista chinesa inclui refrigerador de bordo e porta-malas dianteiro de 145 litros nas versões elétricas.
- M6: o menor dos quatro, com 4,96 m de comprimento, 1,99 m de largura, 1,73 m de altura e 2,95 m de entre-eixos. Leva cinco pessoas, e as configurações mais rápidas fazem de 0 a 100 km/h em 5,2 segundos, segundo a fabricante. Nas versões com extensor, um motor 1.5 turbo de quatro cilindros gera energia, enquanto motores elétricos movem as rodas; a bateria também aceita recarga externa.
Para o mercado brasileiro, a eventual chegada da Aito representaria mais uma marca chinesa apostando em tecnologia para disputar o segmento de luxo. Se confirmar a estreia, a empresa terá de transformar a integração tecnológica com a Huawei em motivo de compra e estabelecer confiança em uma operação ainda por construir.
