Os trabalhadores da fábrica da BYD em Camaçari, na Bahia, aprovaram em assembleia o reajuste salarial de 5,3% após uma paralisação de 24 horas. O acordo também elevou a cesta alimentação em 33,3%, para R$ 800, e prevê um abono de R$ 1 mil no fim do ano. O índice ficou abaixo dos 7,5% reivindicados pelo sindicato.
Da paralisação ao acordo
A negociação foi marcada pela distância entre o que pediam os trabalhadores e o que a montadora oferecia. O sindicato defendia aumento de 7,5%, enquanto a proposta da BYD era de 4,3%. Essa diferença levou à paralisação de 24 horas e também à suspensão das horas extras durante o impasse.
Ao final, os funcionários aprovaram o índice de 5,3%, que passou a integrar o acordo. Como a data-base da categoria foi em 1º de julho, os valores retroativos do reajuste salarial deverão ser pagos até 30 de outubro.
Cesta alimentação e abono
A cesta alimentação teve correção de 33,3% e chegou a R$ 800, divididos entre o vale alimentação e o cartão de benefícios dos funcionários:
- R$ 700 serão destinados ao vale alimentação;
- R$ 100 serão destinados ao cartão de benefícios;
- o cartão também receberá R$ 600 retroativos referentes a julho, agosto e setembro, com pagamento previsto até 30 de outubro.
Além dos ajustes mensais, a negociação garantiu um abono de R$ 1 mil no fim do ano, que deverá estar disponível antes do Natal.
Jornada, terceiro turno e próximos passos
A redução para 40 horas semanais, negociada anteriormente, deve entrar em vigor com o início do terceiro turno, previsto para 9 de novembro. Até lá, os operários seguem em uma rotina de 42 horas por semana no complexo industrial que antes abrigava a Ford.
Segundo Júlio Bonfim, presidente do sindicato dos metalúrgicos local, a montadora reúne no local 8,6 mil profissionais, dos quais cerca de 1,2 mil são chineses. Dolphin Mini, King, Song Pro e Atto 2 são os modelos montados em Camaçari.
Bonfim classificou o acordo como extremamente importante, apesar de o índice ter ficado abaixo do pedido inicial. Na avaliação do dirigente, o sindicato conseguiu melhorar a proposta da empresa e obter um avanço relevante no valor da cesta alimentação. Ele espera que o acordo aqueça a economia local e melhore as condições de trabalho, mas reconhece que ainda existem questões salariais a avançar.
Entre os pontos pendentes estão:
- o plano de cargos e salários, cuja discussão está prevista para o primeiro trimestre do ano que vem;
- a redução do valor do plano de saúde para dependentes;
- um percentual diferenciado de adicional noturno para quem atuar no terceiro turno.
O que muda para o mercado
O desfecho encerra o impasse na unidade baiana da BYD e define o cenário das relações de trabalho em uma fábrica que reúne milhares de profissionais e monta quatro modelos para o mercado brasileiro. Com o terceiro turno e a jornada de 40 horas no horizonte, a pauta de benefícios e condições de trabalho deve seguir em discussão entre sindicato e montadora.
