A indústria automobilística brasileira tem motivos para comemorar. A Anfavea prevê agora que 3,1 milhões de veículos leves e pesados serão comercializados até o final do ano, um crescimento de 15,2% em relação a 2025. A projeção surpreende até entidades do setor conhecidas por sua cautela.
Previsão que superou as expectativas
Para dimensionar a aceleração do mercado em 2026, vale lembrar que as primeiras previsões da Anfavea estimavam um crescimento de apenas 2,7% na comparação anual. O número atual está muito acima dessa projeção inicial.
A Fenabrave, que costuma ser conservadora em suas estimativas, admitiu que "a demanda permanece forte", embora ainda vá rever os números de fechamento do ano. Entre as razões apontadas para os bons resultados está o aumento significativo da oferta de modelos híbridos convencionais e plugáveis, além de elétricos.
No mês passado, foram emplacados 281,4 mil veículos, resultado que não se observava desde dezembro de 2014.
As ressalvas: produção nacional e importados
Apesar do otimismo, há pontos de atenção. Enquanto o mercado cresceu 18%, a produção nacional avançou apenas 9%. Já as importações cresceram 30,4% na comparação de janeiro a setembro de 2026 com o mesmo período do ano passado.
- As marcas chinesas ampliaram sua participação ao crescerem 106,4%.
- O presidente da Anfavea, Igor Calvet, ressalvou que boa parte da alta da produção local vem de veículos total ou parcialmente desmontados da China, que não recorrem ao parque brasileiro de autopeças e envolvem pouca mão de obra.
Pressão sobre a cadeia produtiva
O cenário também preocupa fornecedores. O presidente da Pirelli para a América Latina, Cesar Alarcon, usou uma metáfora futebolística em entrevista ao Jornal do Carro: "Entramos em campo com três jogadores a menos contra pneus importados chineses". Ainda não se sabe como esse quadro vai evoluir.
O que significa para o mercado brasileiro
O ano de 2026 caminha para ser muito positivo em vendas, impulsionado pela maior oferta de modelos eletrificados. Ao mesmo tempo, o crescimento mais forte das importações e das marcas chinesas, frente a uma produção nacional que avança menos, coloca em debate o impacto desse movimento sobre a indústria e a cadeia de autopeças locais. Os números de fechamento do ano, que a Fenabrave ainda vai revisar, dirão se a trajetória se mantém.
