A Jeep estuda lançar um modelo urbano de entrada, abaixo do Avenger, para ampliar sua gama na Europa. O movimento acontece num momento de queda nas vendas da marca no continente e levaria a Jeep a um segmento em que ela nunca atuou. Entre as bases avaliadas para o projeto estão plataformas de duas parceiras chinesas da Stellantis, a Dongfeng e a Leapmotor.
Um segmento novo para a Jeep
O Avenger é hoje o menor modelo da marca. Segundo a matéria-fonte, nenhum Jeep foi menor que ele até hoje. Os antigos CJ-2A e CJ-3A, de 3,30 m e 3,29 m, respectivamente, eram produtos da extinta Willys-Overland, fabricados entre 1945 e 1953.
Xavier Peugeot, novo presidente-executivo da Jeep Europa e integrante da linhagem dos fundadores da marca francesa que hoje pertence à Stellantis, diz buscar inspiração no modelo militar da Willys da década de 40. A ideia é criar um veículo urbano compacto e sustentável. O executivo situa o plano para depois de 2030.
Vendas em queda e pressão sobre a Stellantis
As vendas europeias da Jeep caem 7% neste ano, apesar do crescimento de 6% do mercado da região. As entregas do próprio Avenger recuam 4% depois de um lançamento promissor. A marca tenta voltar ao patamar global de 1,41 milhão de unidades alcançado em 2016, ante menos de 860 mil em 2025.
O desafio vai além de acrescentar um carro ao catálogo. A capacidade ociosa da Stellantis na Europa é estimada em um milhão de unidades, o que afeta a remuneração dos acionistas e a confiança de novos investidores. Em julho, o JP Morgan rebaixou a recomendação para as ações da companhia. O banco avaliou como limitada uma recuperação rápida sem demissões ou cortes expressivos na capacidade produtiva europeia e norte-americana.
Dongfeng e Leapmotor entram na conta
As possibilidades apontadas para o desenvolvimento do novo modelo são a base Quantum S3, da Dongfeng, e a plataforma LEAP 3.5, da Leapmotor. Não foi anunciado qual delas será escolhida. Entre os veículos da parceira chinesa, o Dongfeng Nammi, também chamado Nammi 01 ou Nammi Box, mede 4,03 m e seria o que mais se aproxima da proposta citada.
A Stellantis aposta nas duas empresas para ocupar parte de suas fábricas europeias, enquanto a Volkswagen se prepara para fechar quatro unidades no continente. O presidente-executivo da Stellantis, Antonio Filosa, inclui nessa estratégia um programa de EVs populares que levará três modelos à fábrica de Pomigliano, na Itália, com apoio das parceiras chinesas.
Analistas, porém, apontam riscos. Para eles, as parcerias podem aproximar demais modelos de marcas do mesmo grupo e enfraquecer a identidade de nomes norte-americanos, especialmente a Jeep. Eles também dizem que as parceiras passam a acessar fábricas, redes de distribuição e processos regulatórios europeus já estabelecidos, sem precisar construir estruturas locais equivalentes. Filosa afirma que as joint ventures escolhem cuidadosamente quais marcas e modelos ocuparão as fábricas e diz não querer produtos que disputem espaço com o portfólio existente.
Mais modelos e outros lançamentos
Segundo Xavier Peugeot, a gama europeia da Jeep passará de três para seis modelos. A nova geração do Renegade chegará à região em três anos. Antes disso, o novo Recon será apresentado no Salão do Automóvel de Bruxelas, em janeiro de 2027, dentro da sequência de lançamentos informada pelo executivo.
O que muda para o Brasil
O subcompacto é estudado inicialmente para a Europa, mas uma futura chegada ao Brasil não está descartada. A estreia ainda não tem data definida. O mercado brasileiro tem peso para a marca: a Jeep registrou aqui seu melhor resultado em 2021, com 148,8 mil unidades, número superior às 124,1 mil do ano passado. Por enquanto, o projeto segue sem definição de plataforma e de calendário, e o desfecho dependerá de como a Stellantis equilibrará as parcerias chinesas com a identidade da Jeep.
