quinta-feira, 15 de outubro de 2026

UE vai limitar por quatro anos a entrada de híbridos chineses a partir de dezembro

A União Europeia vai limitar por quatro anos a entrada de carros híbridos fabricados na China, depois de fechar um acordo com Pequim na última sexta-feira (9). Segundo documento obtido pela Bloomberg, o teto inicial será de 350 mil unidades por ano, com alta de 6% ao ano a partir do segundo ano. A restrição pode começar a valer em 1º de dezembro.

Como vai funcionar o limite

A medida abrange tanto os híbridos convencionais quanto os plug-in, aqueles recarregáveis na tomada. Para respeitar as regras da OMC (Organização Mundial do Comércio), o limite será aplicado às importações de qualquer país, e não apenas às da China. Há, porém, uma salvaguarda: a cota chinesa não poderá ser menor que a de nenhum outro exportador.

  • Prazo: quatro anos de vigência;
  • Teto inicial: 350 mil unidades por ano;
  • Reajuste: alta de 6% ao ano a partir do segundo ano;
  • Modelos abrangidos: híbridos convencionais e plug-in.

Por que os híbridos chineses viraram alvo

Os híbridos chineses ganharam espaço porque ficaram de fora das tarifas que a UE impôs, em 2024, aos carros 100% elétricos da China. Segundo a Acea, associação das montadoras europeias, as marcas chinesas ficaram com 25% das vendas de híbridos plug-in no primeiro semestre, ante 2% em 2024.

A UE estima que 800 mil híbridos chineses desembarquem na Europa em 2026, volume que é mais que o dobro do novo teto. Bruxelas considera insustentável o déficit comercial com a China, que passa de R$ 6 bilhões (1 bilhão de euros) por dia. Pequim, por sua vez, rejeita as acusações de concorrência desleal.

Contrapartidas e estratégia das fabricantes

Em contrapartida, Pequim deverá eliminar tarifas sobre algumas peças automotivas europeias e cortar pela metade as taxas sobre calçados e azeite vindos da UE. As concessões alcançam cerca de R$ 24 bilhões (4 bilhões de euros) em exportações europeias.

As fabricantes chinesas também usam a produção local como caminho. Os carros da fábrica da BYD na Hungria, por exemplo, não entram na cota, estratégia que a empresa e outras marcas chinesas repetem em diferentes mercados.

O que muda para o Brasil

O Brasil escolheu outro caminho para conter os importados: desde julho, híbridos e elétricos trazidos de fora pagam 35% de Imposto de Importação, o mesmo porcentual aplicado aos carros a combustão. BYD e GWM já montam carros no país, estratégia semelhante à adotada pelas chinesas na Europa.

Para o mercado brasileiro, o episódio mostra que a disputa em torno dos veículos eletrificados chineses ganha formatos distintos conforme a região: cota na Europa, imposto de importação no Brasil. Em ambos os casos, a produção local aparece como saída para as marcas que querem manter presença.

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