Já faz um tempo que as peruas perderam para as minivans e os SUVs a preferência das famílias brasileiras, mas a Volkswagen ainda é uma das poucas marcas que insistem em oferecer esse tipo de carro no país. Há pouco mais de um ano, a fabricante alemã lançou em nosso mercado a Golf Variant como sucessora da Jetta Variant, descontinuada em 2012. Entretanto, muitos leitores questionaram se a novata, equipada com um motor 1.4 turbo de 140 cv, seria capaz de desbancar a perua veterana e o seu cinco-cilindros aspirado de 2.5 litros de 170 cv.
Para responder a questão, submetemos a Golf Variant aos mesmos testes que avaliaram o consumo e o desempenho da Jetta Variant em 2010. As medições foram feitas pela equipe de engenheiros do Instituto Mauá de Tecnologia na mesma pista, sob condições climáticas semelhantes e com os dois carros abastecidos com gasolina comum.
Antes de falar em números, vale relembrar que há uma diferença de duas gerações entre as peruas, uma vez que a Jetta Variant era baseada na quinta geração do Golf. Já a perua mais nova é construída sobre a plataforma MQB, constituída de aços mais leves e resistentes. Além da maior rigidez torcional, a moderna estrutura conferiu à Golf Variant um ganho de 6 centímetros na distância entre-eixos, aumentou a capacidade do porta-malas em 100 litros e, de quebra, reduziu o peso total em 120 kg em comparação à antecessora.
Embora muita gente ainda torça o nariz para a atual tendência de motores turbinados de baixa cilindrada (downsizing), os testes na pista comprovaram que o propulsor da Golf Variant é mais eficiente em todos os quesitos. O 1.4 TSI compensa os 30 cv a menos entregando o torque máximo de 25,5 kgfm a precoces 1.500 rpm, enquanto o 2.5 aspirado atinge a plenitude de seus 24,5 kgfm apenas a 4.250 rpm. A Golf Variant precisou de 9,5 segundos para acelerar de 0 a 100 km/h, batendo a Jetta Variant que cumpriu a prova em 10,4 segundos.
No teste de consumo, a vitória do modelo mais novo foi esmagadora: 12,2 km/l na cidade e 17,3 km/l na estrada contra 7 km/l e 12 km/l, respectivamente, da Jetta Variant.

O salto tecnológico também influenciou na dirigibilidade – que já era boa na perua veterana. Mais ágil que a antiga caixa automática de seis velocidades, o câmbio automatizado DSG de dupla embreagem e sete marchas contribui para o melhor desempenho da Golf Variant com trocas rápidas e quase imperceptíveis. A direção eletro-hidráulica foi substituída por um sistema elétrico mais preciso.
Com vocação familiar, a Golf Variant entrega um robusto pacote de equipamentos de segurança desde a versão de entrada (Comfortline, que parte de R$ 89.750): sete airbags, ganchos Isofix para a fixação de cadeirinhas infantis, controles de estabilidade e tração, assistente de partida em rampa, bloqueio eletrônico de diferencial e freios ABS que continuam atuando nas rodas após uma colisão para evitar o deslocamento do carro.
Farol alto adaptativo (controla a intensidade do facho automaticamente ao detectar veículos nos sentido contrário), sistema de frenagem autônoma a velocidades de até 30 km/h, detector de fadiga do motorista e controle de cruzeiro ativo (mantém uma distância pré-programada do carro à frente) fazem parte do pacote de opcionais Premium (R$ 27.881) da versão Highline (R$ 107.450). Uma Golf Variant como a do teste chega a custar elevados R$ 142.608 com o acréscimo do teto solar (R$ 5.929) e da pintura metálica azul Silk (1.348).

Eficiente, boa de guiar e bem equipada desde a versão básica, a Golf Variant é um carro a ser considerado caso a aptidão familiar seja um fator determinante na hora da compra. Se não existe a necessidade de suspensão elevada para rodar em estradas sem asfalto, a perua faz frente aos crossovers e SUVs de sua faixa de preço, pois acomoda quatro adultos e uma criança com folga em sua cabine e ainda leva as suas bagagens no porta-malas de 605 litros.
Fotos: Renan Rodrigues e Divulgação
Ficha técnica
| Volkswagen Golf Variant Highline |
| Preço | a partir de R$ 107.450 |
| Motor | Dianteiro, transversal, quatro cilindros em linha, 16 válvulas, turbocompressor, injeção direta, a gasolina |
| Cilindrada (cm³) | 1.395 |
| Potência | 140 cv a 4.500 rpm |
| Torque | 25,5 kgfm a 1.500 rpm |
| Freios dianteiros | Discos ventilados com ABS e EBD |
| Freios traseiros | Discos sólidos com ABS e EBD |
| Suspensão dianteira | Independente tipo McPherson com barra estabilizadora |
| Suspensão traseira | Independente multilink |
| Rodas | Liga leve de 16 polegadas (17 polegadas opcional) |
| Pneus | 205/55 R16 |
| Direção | Elétrica |
| Peso em ordem de marcha (kg) | 1.357 |
| Comprimento (metros) | 4,56 |
| Largura (m) | 1,79 |
| Altura (m) | 1,48 |
| Distância entre-eixos (m) | 2,63 |
| Volume do porta-malas (litros) | 605 |
| Tanque de combustível (litros) | 50 |
| Transmissão | Automatizada de dupla embreagem e sete marchas |
| Tração | Dianteira |
O post VW Golf Variant desafia a antecessora Jetta Variant na pista de testes; veja os números apareceu primeiro em Carsale.
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