A Jaguar Land Rover (JLR) estaria em vias de encerrar a montagem de carros na fábrica de Itatiaia (RJ) após 10 anos para vender as instalações para a chinesa Omoda & Jaecoo, que pertence à Chery. As informações são do jornalista Jorge Moraes. JLR e Omoda & Jaecoo preferiram não comentar a notícia.
Desde antes de sua estreia no Brasil, a Omoda & Jaecoo mantinha o objetivo de ter uma fábrica no Brasil para viabilizar a ampliação da sua participação de mercado. A empresa vinha tentando meios de reativar a fábrica de Jacareí (SP), onde a Chery com a Caoa, mas não teve sucesso.

Por trás de toda a negociação está o Grupo Chery, que comanda a operação da Omoda & Jaecoo no Brasil e é parceira de longa data da Jaguar Land Rover na China. É a Chery quem fabrica os carros da Land Rover na China e os novos carros da submarca Freelander estão sendo desenvolvidos em parceria com o conglomerado chinês, que também será responsável pela produção. Essa relação poderia ter facilitado as conversas.
Originalmente, o complexo fluminense recebeu mais de R$ 1 bilhão em investimentos e contava com uma capacidade para montar até 24.000 veículos por ano, mas os Discovery Sport e Velar, montados ali, não somaram 800 emplacamentos no Brasil em 2025. As vendas da marca definharam a ponto de o Defender ser seu carro mais vendido, com 968 unidades emplacadas em 2025. Em 2024, o carro mais vendido foi o Discovery Sport, com 1.040 emplacamentos.

Com a chegada da Omoda & Jaecoo, a estrutura física será multiplicada em mais de quatro vezes. O planejamento estabeleceria um salto na capacidade produtiva para cerca de 100.000 carros anuais a partir de 2027, e a adaptação do espaço para comportar até 87.000 unidades já está assegurada no termo de compromisso. A intenção é abastecer o mercado interno e também exportar para países vizinhos.
A fábrica de Itatiaia foi a primeira da JLR fora do Reino Unido e segue como a única da América Latina.
Foco no Omoda 4
De acordo com Moraes, o Omoda & Jaecoo nacional será o crossover Omoda 4. A produção no sul fluminense será providencial para estabelecer o modelo como concorrente de peso dos Volkswagen Tera, Fiat Pulse, Renault Kardian e Chevrolet Sonic.


Diferente da maioria de seus rivais 100% a combustão, o Omoda 4 trará sob o capô um motor 1.0 turboflex inédito associado a um sistema híbrido pleno (HEV), que recarrega a bateria nas frenagens e desacelerações, sem uso de tomadas. O conjunto mecânico tem potência estimada de 130 cv e torque na casa dos 22,9 kgfm, o que deve posicioná-lo entre os mais fortes de seu segmento.
