O chefe de design da Stellantis tem planos ambiciosos para as 14 marcas do grupo. Em entrevista ao site Car Design News, Ralph Gilles, contou um pouco sobre sua visão de design e como pretende mudar ou adaptar o visual dos veículos de montadoras tão diferentes umas das outras.
Para a Ram, por exemplo, Gilles quer sair do que já está consolidado como um padrão no segmento de picapes. Para eles, modelos mais novos, como os da GM e até mesmo a Tesla Cybertruck, ainda estão presos em uma estética “super exagerada” destacando-se por seus rostos com “cara de mal”.

Já a próxima geração de veículos da Ram seguirá com um “apelo diferente”, pelo o que conta o designer. A nova abordagem vai utilizar uma estética “muito mais futurista” e, além disso, podemos ver a marca dando maior ênfase para modelos de porte médio, como a Dakota — que não será como o modelo brasileiro. Para Gilles as picapes ficaram “grandes demais”.
Porém, design futurista não significa motorização elétrica, embora uma coisa, quase sempre, esteja associada a outra. Gilles comenta que uma eletrificação das picapes seria algo forçado e não é o que os consumidores desejam, pelo menos não neste momento.
Marcas europeias perdidas
Gilles também falou um pouco sobre como vê as marcas europeias do Grupo Stellantis. Se por um lado Jeep, Dodge e Ram já têm uma identidade bem definida, para ele, a Europa precisa de uma “limpeza” para eliminar a sobreposição das marcas, como acontece com Fiat, Citroën e Peugeot, por exemplo.
Apesar da grande bagagem histórica dessas marcas, o designer acha que ainda existe espaço para mudança e que pode criar “assinaturas únicas” para cada uma.
Por outro lado, o caso de marcas mais associadas ao desempenho é diferente. A Alfa Romeo é citada como um grande “quebra-cabeça” para os designers da Stellantis, justificando que “desempenho significa algo diferente para a próxima geração”.
Para a também italiana Maserati, os planos são mais concretos. Gilles afirma que eles estão preparando uma “mudança completa” em termos de design. A marca do tridente será como um campo de experimentação que, assim como os modelos Ram, vão apelar para um design mais futurista e tecnológico, podendo ignorar o senso de negócios em favor da inovação.

Como exemplo de uma reformulação bem sucedida que deu certo, Gilles cita o caso do Cadillac Celestiq. Para o designer, esse é um bom exemplo de uma marca histórica “redescobrindo suas raízes, de uma nova forma”.
Gen Z está cansada de SUVs
Gilles também conversou sobre como a nova geração de motoristas e de designers enxergam o automóvel. Para eles, estamos passando por uma “fadiga de SUVs”, alegando que muitos clientes almejam a volta dos sedãs, enquanto jovens designers querem hatchbacks “divertidos de dirigir e fáceis de estacionar”.
Porém, é quase unanimidade que todos querem carros mais baratos. Gilles cita que o maior desafio da indústria é criar carros atraentes e acessíveis financeiramente. Segundo ele, a Stellantis caminha para um caminho “essencializador”, que envolve abrir mão de coisas supérfluas e focar apenas no que é necessário para um carro.

